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Luiz Carlos Merten

29 Outubro 2010 | 14h31

Não sou, nunca fui, grande admirador do cinema de Alan Parker e até não guardava uma boa lembrança do encontro anterior que tive com ele, quando veio lançar ‘The Commitments – Loucos pela Fama’, aqui em São Paulo. Mas fiz ontem o que considero uma boa entrevista com o diretor e o próprio Parker, respondendo a perguntas de natureza mais íntima sobre sua vida e obra, me observou que, ao envelhecer a gente fica mais honesto ou perde o rumo de vez. Acho que, no caso dele, ficou mais honesto. A Mostra, da qual vai ser jurado, o homenageia com um programa que começa hoje às 17h20 no Arteplex 2. Serão exibidos, em sequência – “Bugsy Malone/Quando as Metralhadoras Cospem’, ‘O Expresso da Meia-Noite’, que deu o Oscar de roteiro para Oliver Stone, e ‘Pink Floyd – The Wall’. Parker explicou que a escolha dos títulos não foi dele e que preferiria que fossem exibidos ‘Asas da Liberdade’ (Birdy) e ‘The Commitments’. Ele considera ‘Birdy’ seu melhor filme e também era, entre todos os que fez, o preferido de seu mentor. Quem? Fred Zinnemann, que lhe disse um dia que o cinema era muito sério para se perder tempo com bobagens e o filme que motivou a observação, a bobagem, era ‘Coração Satânico’, Angel Heart, com Mickey Rourke, Charlotte Rampling e Robert De Niro, um dos maiores sucessos de público da carreira de Parker. No caso de ‘Commitments’, ele contou que era uma prazer tão grande trabalhar com aquela garotada, tão cheia de energia, que madrugava para correr ao set e esperar pelos seus garotos e garotas. Parker veio da publicidade, alguns de seus filmes provocaram polêmica mais pelo estilo do que pelo tema. Lembro-me de José Onofre, falando do tema do racismo e da luta por direitos civis em ‘Mississippi em Chamas’, reclamar do que considerava o ‘realismo posado, ou de pacotilha, do autor’. Isso não impediu Parker de ser amigo, na vida, de Fred Zinnemann, cuja obra, mesmo que a considere supervalorizada, é toda ela uma discussão sobre as questões de consciência que mobilizam os personagens. Haverá um debate após ‘Pink Floyd’, lá pelas onze da noite (se não atrasar).