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Luiz Carlos Merten

22 Dezembro 2009 | 10h05

PORTO ALEGRE – Sorry, Calirai, então o Scorsese vai receber seu troféu Cecil B. de Mille durante o Globo de Ouro? Nem pensei duas vezes e ‘tasquei’ Oscar porque me deu a impressão de ter lido isso quando vi a chamada aobre o tal prêmio, ao pesquisar no Google. E, depois, para dizer a verdade, um troféu com o nome do megalomaníaco produtor e diretor tem muito mais a cara da Academia de Hollywood do que de uma associação de jornalistas, se bem que o próprio De Mille, a menos que me engane, nunca recebeu seu Oscar de direção, nem quando ‘O Maior Espetáculo da Terra’ foi o melhor filme do ano (em 1952). No mesmo post sobre o Scorsese no próximo Festival de Berlim, Roberto usa seu comentário para listar os dez, na verdade 11 filmes que o diretor de ‘The Shutter Island’ considera os mais assustadores de todos os tempos. A lista é muito interessante, mas se o Scorsese tiver listado na ordem de preferência, eu faria uma inversão. Os que ele enumera a partir do número 7, ‘O Iluminado’ – e depois ‘O Exorcista’, ‘A Noite do Demônio’, ‘Os Inocentes’ e ‘Psicose’ (a versão de Alfred Hitchcock)-, me assustam muito mais do que Robert Wise, ‘Desafio do Além’, e Mark Robson, ‘A Ilha dos Mortos’, os primeiros. Já perdi a conta das vezes que vi o cult de Hitchcock e o filme sempre me causa medo e angústia. O diálogo entre Janet Leigh e Anthony Perkins que precede o assassinato na ducha é de uma beleza, e profundidade, que tormna a cena seguinte mais dolorosa. Ela anuncia que vai recuar sobre o próprio erro e voltar atrás, arcando com as consequências e, por isso, vai tomar o banho purificador. Ele diz que não há retorno possível (e a gente ainda não sabe por quê). Scorsese não cita, mas outro filme que me assusta, terrivelmente, é ‘Seven, os Sete Crimes Capitais’, de David Fincher. É uma visão tão perturbadora da maldade de que o ser humano é capaz… E não posso deixar de acrescentar que a cena avulsa que acho mais assustadora talvez seja a de ‘Os Outros’, de Alejandro Amenábar, com Nicole Kidman – que Tom Cruise financiou como despedida para sua ex e também em troca dos direitos de ‘Abre los Ojos’/Preso na Escuridão. Lembram-se? É a cena do fantasma dentro do armário. Tomei um susto, dei um pulo na poltrona que parecia que ia enfartar. Curioso, agora que redigi o nome de Amenábar, me lembrei do último filme dele, que vi em Cannes, em maio. Achei ‘Ágora’, com Rachel Weisz, bem interessante. O filme trata de ocultismo, de simbolos e do conflito entre religião e ciência. Tudo isso, dou-me conta agora, remete a Dan Brown, que se documenta e tece bases perfeitamente realistas para suas tramas fantásticas. O que ocorreu com ‘Ágora’? Que eu me lembre, o filme não passou no Festival do Rio nem na Mostra de São Paulo.