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Luiz Carlos Merten

25 Setembro 2007 | 12h48

RIO – Quem foi mesmo que me cobrou alguma opinião sobre Ainda Orangotangos, do meu conterrâneo Gustavo Spolidoro? O filme passou à meia-noite no Odeon. É o primeiro filme brasileiro feito num único plano-seqüência, o que exigiu grande preparação. Foram gravados seis takes. Spolidoro escolheu o segundo. Sei disso porque o próprio Gustavo me passou um folder com informações sobre a produção, quando nos encontramos no lobby do hotel, logo que cheguei ao Rio. O filme é bastante ousado, e não apenas do ponto de vista técnico. Os personagens são todos figuras que estão vivendo no limite. Não sei se foi, como se diz, pelo adiantado da horário, mas não consegui entrar no clima. Vi o filme muito mais pelo ponto de vista da técnica, pensando mais na câmera, no espaço e nos atores do que propriamente nos personagens. Tive um pouco essa sensação, mas lá eu sei que não gostei, assistindo a Nome Próprio, de Murilo Salles, com aquela personagem que me irritou profundamente. Ainda Orangotangos é mais interessante, mas já me disseram que é muito gaúcho e por isso eu gostei mais do que de Nome Próprio. Aliás, é curioso – as pessoas me falam do Rio Grande, o ‘país’ de onde vim, como se fosse outro mundo. Não é gente, é Brasil também. Prometo rever o filme do Gustavo, mas não me empolgou muito, não. Fiquei até mais interessado em saber o quwe vocês, que já viram o filme, acharam.