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Ainda o Saneamento

Luiz Carlos Merten

18 Junho 2007 | 16h07

Pegando carona no comentário do Wellington – posso preferir O Baixio das Bestas, mas não descarto a necessidade de diálogo do cinema brasileiro com o público. Só que é aquilo – prefiro Lisbela e o Prisioneiro, que ficou comigo após a projeção, embora seja um filme gostoso, comercial. Também acho que é artístico, mas não quero polemizar, agora. E por que o filme ficou? Porque não é só uma piada, porque existe ali um desenho de personagens. Se Eu Fosse Você também tem isso – de outra maneira não teria ultrapassado 3,5 milhões de espectadores, ficando entre as cinco maiores bilheterias da retomada. Quando disse que espero que Saneamento Básico faça sucesso, seja um estouro, não estou mentindo, não. Tenho minhas dúvidas, é verdade. A primeira refere-se ao próprio título, como chamariz de público. A outra, ao fato de ser besteirol. O próprio Wellington cita A Grande Família como o grande sucesso de público do cinema brasileiro neste ano. E o que é? Uma história humana, de família. O espectador pode se identificar com Nenê, com Lineu e todos aqueles filhos. Eu, por exemplo, ri com Casseta e Planeta, mas não saberia dizer, naquele besteirol, o que é piada do primeiro filme ou do segundo. Já foi tudo para o ralo. Não sei se os personagens de Saneamento têm o mesmo apelo dos de A Grande Família. Tomara – tem marido e mulher, pai e filha. Quando relativizei minha decepção ontem – é verdade. Dá para rir com Saneamento Básico. Imagino que para acompanhar pipoca e refrigerante seja legal. É inteligente, não é burro, e nisso já vai um tento. Mas que me deixou com fome – de cinema, do que imagino que Jorge Furtado, a partir de A Ilha das Flores, seja capaz –, ah, isso deixou.