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Ainda o Clint

Luiz Carlos Merten

07 Março 2018 | 09h32

Tenho de voltar ao Clint. Estou louco para rever o filme, até porque sinto que estou de novo na contramão, em defesa do diretor. No caso de outro filme recente, Sniper, vi um filme diferente da maioria da crítica, uma nova forma de se apropriar e retrabalhar o clássico Rastros de Ódio, de John Ford, para debater a tragédia de um individualista, num mundo que celebra o individualismo. Aqui, para mim, ficou muito claro que Clint quis refazer Sobre Meninos e Lobos, que é um filme de prestígio, sucesso de público e crítica – Sean Penn ganhou o Oscar -, mas não é um dos meus favoritos do diretor, para outro discurso, o do coletivo. Vi 3:17 – Trem para Paris sob forte estresse emocional (na vida privada) e o filme terminou sendo catártico para mim. Mas não sou louco de não reconhecer que Trem para Paris tem aspectos controversos. A celebração dos heróis asmericanos é um, até porque o filme não crê em heroísmo e sim na forma como as pessoas reagem às circunstâncias. Muitos, a maioria, fogem. Poucos enfrentam, e por quê? Clint, cristão, em busca de expiação, como em Gran Torino, talvez encontre suas chaves na religião, com a qual, aliás, seu protagonista – um dos três, Spencer Stone – vive em litígio. E tem o lobo da história, o terrorista. É curioso como desde o início, e até o desfecho, esse homem está presente, mas não aparece. Ele só ganha um plano frontal, um rosto, durante o tiroteio. Confesso que teria sido interessante conversar com Clint sobre essas escolhas. Procurei por entrevistas na rede e, nas única que encontrei, essas questões nem foram levadas em consideração. Outra curiosidade é que o filme estreia nesta quinta, 8 de março, e um filme de machos, de heróis e armamentos, mesmo que entre aspas, pode até parecer provocação ao Dioa Intgernacional da Mulher. Dois dos garotos são filhos de mães solteiras, que chegam a ouvir, sendo seus garotos ‘problemáticos’, que talvez elas devessem entregar a guarda aos pais. Bem interessante, e revelador de uma estrutura falocrata que o filme critica.