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Ainda Lion. E, daqui a pouco, Kong!

Luiz Carlos Merten

07 Março 2017 | 08h49

Fui rever no domingo Lion, Uma Jornada para Casa. Dib Carneiro foi junto. Chorei/choramos de desidratar. Meu amigo Gabriel Vilela, homem de teatro, para provar a superioridade do seu (milenar) meio de expressão, diz que teatro se faz na rua, na praça, à luz de vela e o cinema precisa da eletricidade. Desligou da tomada, não tem mais. Pode até ser, Gabriel, mas enquanto está na tomada… Foi um ano de grandes filmes no Oscar, talvez o melhor em muitos anos, mas teve suas injustiças. Emma Stone, a loirinha da vez, não foi melhor atriz, Viola Davis, bastante superior, não foi melhor coadjuvante – para ficar por aqui. La La Land e Moonlight são grandes filmes, mas se eu tivesse de escolher um nesse Oscar seria… Lion! O mais emocionante,o que engloba todos os outros. Pode ser o filme ONG, o filme propaganda do Google Earth. E daí? Alguns dos maiores filmes do cinema nasceram como obras de propaganda. O Encouraçado Potemkin, Louisiana Story… A história dos irmãos, Saroo e Guddu, é uma das mais pungentes do cinema, e os dois garotos… O cinema é uma coisa maravilhosa. Instrumento de vida, e morte. O plano em que Saroo, meio dormindo, na estação, vê o irmão se afastar na noite. A cena final, quando ele dobra a esquina, no vilarejo e o diretor corta o som. O cortejo que passa, com o menino morto. As trocas de olhares no começo – por que os personagens se olham daquele jeito, como que pressagiando a tragédia? Todo o filme tem um caráter premonitório. A história pequena vira um épico, maior que a vida. Esse Garth Davis não é fraco, não. Nascido em Brisbaine, na Austrália, dirigiu uma série que não conheço, Top of the Lake. Trabalha atualmente numa versão de Maria Madalena, com Rooney Mara, que já estou louco para ver. O relato bíblico feito narrativa humana. Não entendo o Oscar. Viola Davis é coprotagonista com Denzel Washington e concorreu (e ganhou) como coadjuvante por Um Limite entre Nós. Nenhum dos atores que faz Chiron foi indicado por Moonlight, e Trevante Rhodes, que faz ‘Black’, certamente merecia. Mas, então, por que Dev Patel foi indicado para melhor ator coadjuvante, por Lion, se, na metade do tempo, e até na fase adulta, ele divide a tela com o Saroo mirim, e o moleque Sunny Pawar é um assombro? Estou aqui tergiversando. Daqui a pouco, vou ver Kong, A Ilha da Caveira, que trouxe a São Paulo, para a Comic.com, o diretor Jordan Vogt-Roberts. Na verdade, como o Jordan não pôde vir, Thiago Lacerda assumiu o papel – brincadeirinha, mas os dois são iguais! No pavilhão da Comic.com, Jordan explicou como seu rei Kong não é o original, mas o que ele criou estabelecendo uma mitologia própria. Estou muito curioso. Kong é um dos grandes personagens, um dos grandes mitos do cinema. Gosto da versão de Peter Jackson porque a motion capture permitiu ao diretor humanizar o gorila gigante como nenhum outro diretor fez antes, mas, claro, o original de Merian C. Cooper e Ernest Shoedsack, dos anos 1930, permanece ‘o’ filme. Lá vou eu traveiz!