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Ainda ‘Hamlets’ (no plural)

Luiz Carlos Merten

23 Junho 2008 | 08h39

Quando listei alguns Hamlets do cinema, os mais tradicionais, esqueci de outros que me foram voltando enquanto estava sentado, ontem, no Teatro da FAAP, à espera do início da peça de Aderbal Freire Filho com Wagner Moura. Parecia pré-estréia de cinema. Estavam lá Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi, Fernando Meirelles e Chico Teixeira. Vi o Daniel de Oliveira de longe e conversei com Maria Adelaide Amaral – é sempre um prazer (imenso) falar com ela. Maria Adelaide prepara dois textos para teatro. A adaptação de ‘As Meninas’, a pedido de Lygia Fagundes Telles, e outra peça sobre Dercy Gonçalves. E TV? A Globo quer que ela faça novela, mas Maria Adelaide prefere o formato minissérie, que lhe permite, até por uma questão de tempo, ser mais elaborada. E, ah, sim, ela está adorando ‘A Favorita’. Diz que a novela de João Emmanuel Carneiro é muito boa, e nisso não está sozinha, porque as meninas do ‘Telejornal’ – Padi(glione), Keyla e Étienne – também estão achando a novela ótima. O problema é que vai mal de público e até quando a Globo vai permitir que o João Emmanuel continue seu trabalho, sem forçá-lo a mudanças drásticas para levantar o ibope? Sinceramente, nunca fui muito noveleiro, porque não tenho tempo nem paciência de me postar toda noite uma hora diante da TV. Saio muito para ficar preso. É uma coisa que não me atrai, mas certas novelas são atraentes. É difícil resistir a uma vista d’olhos no Sylvio de Abreu, no Gilberto Braga. Manoel Carlos eu passo, obrigado. Glória Perez, também, mas aquele ‘Clone’ tinha umas coisas bem engraçadas. Enfim, voltando ao ‘Hamlet’, propriamente dito, e antes de satisfazer a curiosidade do Josafá – andavas sumido, guri -, quero citar mais dois ou três Hamlets do cinema, de recorte mais ousado (ou inovador). Um é o Hamlet do Ethan Hawke, contemporâneo, como é mesmo que se chamava?, no qual o famoso ‘to be or not to be?’ era recitado dentro de uma videolocadora. Tem também a versão de Ozualdo Candeias, ‘A Herança’, com David Cardoso, Bárbara Fázio e Agnaldo Rayol, que é muito boa – e, aliás, falando outro dia com Myrna Brandão, ela me disse que a obra do Candeias precisa de restauração urgente, sob pena de virem a desaparecer obras que fazem parte da história do cinema paulista e brasileiro, a começar por ‘A Margem’. ‘A Herança’ é do começo dos anos 70 e eu assisti ao filme no Carlos Gomes, em Porto Alegre, que, na época, era o território dos spaghetti westerns (com o Vitória, onde estreavam os lançados pela Condor Filmes). Nunca mais revi o filme, que tem um look de farvestão, mas ele me impressionou muito. Candeias é 100% autor, assinando direção, roteiro, fotografia, cenografia e vestuários. E tem ainda o ‘Rosencrantz and Guildenstern Are Dead’, do Tom Stoppard, que pega dois personagens laterais da peça e reconta a história do príncipe da Dinamarca de outro ângulo. Stoppard, estreando na direção, baseou-se na sua peça e, embora o filme seja muito teatral, tem coisas ótimas. Ele é o cara, tendo escrito o roteiro, premiado com o Oscar, de ‘Shakespeare Apaixonado’, que é muito legal, criando uma biografia fictícia para Shakespeare – a vida dele é muito nebulosa – a partir de suas peças. Muito engenhoso. Bom, agora é tempo de encarar o Hamlet do Wagner. No próximo post.