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Cultura » Ai, que preguiça

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Luiz Carlos Merten

16 Dezembro 2009 | 13h53

Às vezes, confesso que tenho meus acessos de Macunaíma – ai, que preguiça! Em geral, é quando fujo aos meus ‘princípios’ e tento ler o que os outros escrevem. Sobre ‘Avatar’, por exemplo. A revolução dos clichês. Mas será que o gênio que diz isso acha que ‘ele’ está sendo original? Quem acompanha James Cameron sabe que seu desafio consiste em retrabalhar o clichê e fazê-lo melhor e mais realista do que em qualquer aventura vista antes. Por isso mesmo é que escrevi na capa do ‘Caderno 2 de hoje – a matéria, de verdade, está lá dentro – que ‘Avatar’ é novo até quando passa ao espectador a sensação de que está vendo códigos narrativos bem tradicionais. A vertigem consiste em lançar o público dentro do mundo tridimensional de Pandora, como consistia em fazer o espectador afundar com o Titanic. Fora isso, o ‘clássico’ com Leonardi DiCaprio e Kate Winslet também reciclava um festival de clichês, e não por acaso ganhou uma enxurrada de Oscars, menos o de roteiro (que seria para o próprio Cameron, como em ‘Avatar’). Eu também, burro que fui, reclamei dos clichês de Cameron, mas depois de (re)ver ‘Titanic’ 1001 vezes na TV paga é um filme que estou sempre pronto a redescobrir, porque é disso mesmo que se trata. ‘Titanic’ nunca é o mesmo, quando o revejo, e isso ajuda a explicar o fenômeno cultural em que se transformou. Ai, que preguiça! Ainda bem que existe o próprio ‘Avatar’. Estou morrendo de vontade de rever o filme. Passada a novidade, terei o mesmo impacto audiovisual/emocional? Quero rever no Imax, mas nos primeiros dias não vai dar. Como vou a Porto na semana de Natal, acho que fica sendo minha resolução de fim de ano, para a volta.