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Luiz Carlos Merten

27 Outubro 2008 | 17h16

Desconfio muito de quem diz que é imune ao colonialismo cultural – neste mundo? Só pode ser brincadeira. Lembro-me de uma história que me contaram durante o Festival de Cinema Latino-Americano, no Memorial. Fernando Solanas, sei lá em que evento na Índia, teria destratado um sujeito que lhe fez uma pergunta em inglês, por ele rechaçada porque é a língua do (neo)colonialismo. Até acho que é, ou pode ser, mas não sejamos ingênuos. Solanas, que merece todo meu respeito pelos bons filmes que fez – ‘La Hora de los Hornos’ e ‘Tangos, Exílio de Gardel’ -, disse que só responderia se lhe perguntassem em francês – estou relatando a história como me foi contada. Achei ingenuidade, de parte de quem não é ingênuo. Os imigrantes africanos e muçulmanos que tomam porrada na França talvez tenham outra idéia do colonialismo francês e eu não esqueço, o que muito me impressionou – talvez por motivos pessoais -, dos africanos cortando as mãos de outros africanos nas guerras tribais de ‘Diamante de Sangue’. Só depois de ver o filme descobri o tal rei Albert, da Bélgica, que recebeu sei lá que prêmio humanitário na Europa e foi o cara que, no antigo Congo Belga, introduziu a prática de amputar as mãos dos nativos, a título de ‘exemplo’. Parece que esse senhor, sendo belga, falava francês, mas, claro, isso é rixa antiga. Todo este blablablá é para chegar ao ponto. Talvez me acusem de colonialismo cultural – atire a primeira pedra quem acha que não é colonizado -, mas vi alguns trailers bem interessantes na recente viagem a Los Angeles, quando entrevistei o povo de ‘Quantum of Solace’. Fiquei doidinho para ver ‘Valkyrie’, do Bryan Singer, com Tom Cruise, mesmo que a biografia não autorizada do Tom fale horrores do projeto, que não é do ator e muito menos do diretor e sim da Cientologia, a igreja que sofre perseguição na Alemanha e quer ligar sua imagem à de Cruise como redentor do povo alemão, o homem que tentou matar Hitler. ‘Válkyrie’ – como se pronuncia – tem um trailer para lá de bom e naturalmente que vamos todos conferir, nem que seja para não gostar. Fiquei mais nos cascos ainda para ver ‘O Estranho Caso de Benjamin Button’, o novo David Fincher, com Brad Pitt. Só por reunir a dupla de ‘Seven – Os Sete Crimes Capitais’, o filme já me atrairia, mas o Fincher fez depois ‘Zodíaco’, que é ainda melhor. Estava grafando Benjamin Britten e aí me veio que era o compositor. Fui ao Google atrás da grafia certa e encontrei, num desses sites sobre o Sr. Angelina Jolie, não sei se o oficial dele, o novíssimo trailer de ‘Benjamin Button’, diferente do que tinha visto e que fortaleceu ainda mais meu desejo de ver o filme sobre o cara que nasce velho e vai rejuvenescendo à medida que passam os anos. O filme pode ser o ‘Velha Juventude’ (Youth without Youth) do Fincher. Não me admiraria se Brad Pitt descolasse uma candidatura para o Oscar, por menos importante que isso seja (para mim, não para ele), e se bem que acho que o Pitt leva jeito de ser indicado por seu personagem em ‘Queime Depois de Ler’, dos irmãos Coen. Terceiro trailer que me impressionou – o de ‘O Dia em Que a Terra Parou’, com Keanu Reeves, remake da ficção científica de Robert Wise nos anos 50. Quem dirige é Scott Derrikson, que fez aquele filme de possessão sobre Emily Rose, que eu, e pelo visto só eu, achei bem interessante na sua confluência de terror e exorcismo com filme de tribunal. Keau Reeves faz a nova versão de Klaatu, o robô que vinha trazer à Terra o ultimato dos alienígenas contra a bomba atômica que poderia ter conseqüências no equilíbrio do universo. ‘O Dia’ estréia em 9 de janeiro de 2009 no Brasil.