Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Agradecendo…

Cultura

Luiz Carlos Merten

28 Fevereiro 2012 | 10h25

Está na capa do ‘Caderno 2’ de hoje. Ubiratan Brasil era nosso homem no Oscar e entrevistou o produtor Thomas Langmann, de ‘O Artista’. Comecei a ler o texto, uma história de amuleto que me cansou, mas pelo título, ‘Fenômeno construído’, e pelo olho e legenda, concluí que Langmann credita aos irmãos Weinstein o sucesso, e a premiação, de seu filme. Faz a fama e deita na cama. Há 13/14 anos, os Weinstein, na Miramax, realmente orquestraram uma bem sucedidida campanha de marketing para impor ‘Shakespeare Apaixonado’. Desde então, eles tentaram várias vezes, com vários outros filmes, e nunca mais deu certo, a ponto de a Miramax ter ido para o brejo. Retrospectivamente, pode-se argumnentar que, por mais que o marquieteiro dos Weinstein tenha trabalhado direito – é que nem marketing político -, o filme, como qualquer candidato, tem de ter qualidades que o tornem confiável/palatável para a fatia de mercado que quer atingir. ‘Shakespeare’1 tinha um roteiro muito esperto (de Tom Stoppard), que explicava o artista pela obra e biografava o bardo de forma muito simpática e original. Com os atores certos, de Joseph Fiennes a Geoffrewy Rush, de Gwyneth Paltrow a Judi Dench (que gasnhou lá seu único Oscar, de coadjuvante), a campanha deu certo. Digamos que os Weinsten tenham feito tudo bonitinho, de novo.. Tenho para mim que Langmann deveria ter agradecido a Thierry Frémaux. No ano passado, depois de assistir a ‘O Artista’ em Cannes, Elaine Guierini e eu já arrioscávamos – isso é filme para ganhar Oscar. As próprias publicações no festival – ‘Variety’, ‘The Hollywood Reporter’ – já apontavasm nessa direção. Quando o entrevistei, pelo telewfone, Michel Hazanabvicius me contou como fora difícil convencer Jean Dujardin a fazer o filme da vida dele (Michel), na verdade, o filme da vida de ambos. Dujardin tinha medo de que um filme em preto e branco, sem diálogos, ficasse muito experimental e, na França, ele ficou muito abaixo das bilheterias da dupla com o agente 0117. Foi muito ousado, da parte de Thierry Frémaux, pegar um filme de um diretor popular e colocar na competição do maior festival do mundo. Creio até que foi para evitar o vendaval de críticas – que ele sabia que o filme iria calar – que Frémaux só anunciou tardiamente a entrada do ‘Artista’ na seleção cannoise. E, se ele ousou, Robert De Niro confirmou, atribuindo, como presdidente do júri, o prêmio de interpretação a Jean Dujardin. De Niro sacou tudo – foi a partir de Cannes, avalizado por Cannes, que Dujardin fez esse verdadeiro passeio, papando todos os prêrmios do mundo (menos o César, prova de que santo de casa não faz milagre). É curioso, o reconhecimento de ‘O Artista’ começou com De Niro e, no limite, o filme destruiu o sonho do segundo Oscar do mentor doi astro, Scorsese. Psicanaliticamente, se poderia fazer mil viagens – De Niro matou o pai etc. Chega, Merten. Acabo de validar um comentário de alguém falando mal de ‘O Artista’ e dizendo que prefere o partido teórico de Martin Scorsese em ‘A Invenção de Huigo Cabret’. ‘O Artista’ seria só um filmezinho piegas e sentimental. Não assino embaixo e até vou reproduzir parte de uma conversa que tive com minha ex-colega de ‘Estadão’, Cecília Thom,pdson, que me ligou ontem para conversarmos sobre o Oscar. Cecília obserevou, e eu tambérm creio nisso, que a vitória de ‘O Artista’ não deixa de ser um produto (consequência?) da era Obama. Como? Como ela, não creio que o ‘fenômeno’ tivesse sido possível com George W. Bush. Durante seus anos na Casa Branca, não era só o árabe quew era exorcizado como suspeito número um (após o 11 de Setembro). Como a França esteve sempre na oposição a Bush Jr., o francês era demonizado na mídia e, em ‘n’ séries e programas de humor, havia sempre a piada do tipo ‘O cara fede, é sujo, deve ser francês’. Acho que ‘O Artista’ comporta muito mais níveis de leitura, mas, é claro, dependem de quem os faz. Já disse quie havia gostado de ‘Hugo Cabret’, uma raridade, porque a fase Scorsese/Di Caprio, para mim, é o ó. Tentei rever outro dia um pedaço de ‘Ilha do Medo’ na TV e parei.O filme é puro exercício de manipulação, que saco. De volta a ‘Hugo’, gostei, mas cada vez que penso no filme ele não cresce. Vai diminuindo… Jotabê Medeiros, de volta das férias, me disse ontem uma coisa que ficou comigo. Ele, decididamente, não gostou. DFissde que ‘Hugo’ é spielbergiano. E Spíelberg, só quem sabe fazer, é o próprio.

Encontrou algum erro? Entre em contato