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Agora, sim!

Luiz Carlos Merten

11 Janeiro 2016 | 11h29

O Globo de Ouro! Ainda estou tentando me recuperar da vitória de Perdido em Marte. Lembro-me de que, na junket de Quentin Tarantino, enquanto esperávamos para falar com o criador de Os Oito Odiados, confessei para Roberto Sadovski o meu enfado pela ficção científica de Ridley Scott. Ele me sugeriu que revisse o filme, porque gosta muito e ia papar tudo – Oscar, Globo de Ouro. Gosto de Alien e Blade Runner, mas, sorry, queria mais que tivessem esquecido o Matt Damon em Marte. Puta cara chato, o ator e o personagem. Ainda tento entender como e por quê uma ficção científica que não tem humor – nenhum filme de Ridley tem, exceto o involuntário do risível Exodus, o pior filme do diretor – nem canto nem dança concorreu como melhor filme de comédia ou musical. Não só concorreu. Emplacou filme, diretor e ator. Jísus! Acrescento que estava cético quanto aos Globos de Ouro de drama. Não botava fé de que Carol fosse ganhar – e o filme de Todd Haynes, com o maior número de indicações, cinco, foi o derrotado da noite – não levou nenhuma) – e, gostando como gosto de Spotlight, teria achado excessiva a vitória do suspense jornalístico de Tom McCarthy. Acho o operístico Mad Max – Estrada da Fúria o melhor dos cinco indicados na categoria, mas duvidava de que um filme de ação fosse ganhar. Danou-se o George Miller. Sobravam O Quarto de Jack, que não vi, mas do qual Elaine Guerini me fala maravilhas – e O Retorno, de Alejandro González-Iñárritu, que vi e gostei, muito mais que de Birdman, que ganhou o Oscar no ano passado. O Retorno venceu nas categorias filme, diretor e ator. Leonardo DiCaprio é poderoso e deixa para trás suas performances de bebê mimado – e enrugado – dos filmes de Martin Scorsese. Um dia ele teria de ganhar. Bom que tenha sido aqui. Mas a verdade é que, gostando como gostei – muito mais -, de O Retorno que de Spotlight, acho que o filme de Iñárritu perde no meu imaginário para Fúria Selvagem, de Richard C. Sarafian, com Richard Harris, com om qual tem (muitas) similaridades, menos o navio que o capitão John Huston, como Fitzcarraldo, carrega pelo seco. ‘Meus’ momentos no Globo de Ouro de 2016 – a surpresa genuína de Kate Winslet, ao vencer melhor atriz coadjuvante por Steve Jobs, o meme de DiCaprio, quando Lady Gaga o atropelou indo receber seu Globo de Ouro – vi ontem, ao fazer uma pesquisa, a foto que ela postou, nua com o namorado; Jísus! (2); essa gente está louca – e o número de Tarantino. ‘Grazie, Ennio’. Se Os Oito Odiados tinha de ganhar alguma coisa, que fosse mesmo a trilha de Morricone. E eu adoro quando Tarantino, exagerado como sempre, considera Morricone o maior compositor ‘ever’. Acrescenta que não fala só de cinema, mas de Mozart, Beethoven, Schubert, ‘esses caras’. Na categoria TV, séries, não opino. Wagner Moura não levou, mas pelo menos cravou que quem ia vencer a categoria melhor ator de série dramática seria Jon Hamm. Vocês sabem que implico com essa história de que a criatividade, hoje, no audiovisual dos EUA, está na televisão. Só ouço tecerem loas ao Netflix. Pelo visto, não estou sozinho no meu repúdio ou desconfiança. O Netflix tinha o maior número de indicações de TV. Oito! Mais que Carol! Não levou nenhuma. O fiasco foi maior.