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Luiz Carlos Merten

18 Maio 2010 | 15h42

CANNES – O crítico de ‘Hollywood Reporter’, que lança uma edição diária durante o festival, baba-se em elogios a ‘Biutiful’ e agradece a Alejandro González-Iñárritu por salvar uma seleção que lhe parece medíocre. Não estou de acordo (gostei dos filmes de MIke Leigh, Abbas Kiarostami e do chadiano Mahamat Saleh-Haroun, mas o filme de Iñ´´arritu mexeu comigo, por seu tema da paternidade, e acho que dificilmente ele deixará de estar entre os vencedores, no domingo. Vocês me pediram que fale sobre o violentíssimo filme de Takeshi Kitano, ‘Outrage’. Vou deixar para amanhãs, depois de entrevistar o cineasta. Agora, quero jantar (rapidinho), antes de ver, às 22 horas (locais), o russo Sergei Loznitsa (com ‘Schastye Moe’, que não sei – ainda – o que significa). Uma palasvrinha sobre ‘Cinco Vezes Favela – Agora por Nós Mesmos’. Cacá Diegues apresentou os garotos e garotas do filme que Renata Magalhães e ele produziram, possibilitando a jovens de comunidades (favelas) os recursos para reiventar o que seus colegas de geração (e ele) haviam feito com  ‘Cinco Vezes Favela’, nos anos 1960. O original é considerado um dos marcos deflagradores do Cinemas Novo (e é dedicado a Leon Hirszman). Do ponto de vista estrititamente cinematográfico, achei o primeiro episódio, ‘Fonte de Renda’, mas cada um dos demais me tocou por um toque aqui, um clima ali, uma boa ideia lá. Não creio que o novo ‘Cinco Vezes Favela’ seja tão ingênuo quanto alguns colerguinhas, que haviam visto o filme de manhã – vi-o à tarde, na sessão oficial – me vaticinaram. Ou, então, terminei tomando essa ‘ingenuidade’, algo estudada, como uma qualidade. Sei que, no episódio final, a luz que se acende no Natal da favela, eu estava no clima para cima. Sou solidário com Kleber Mendonça, cuja sinceridade me comoveu – ele me disse que estava chocado consigo mesmo, por haver gostado tanto – mais do que imaginava – de ‘Cinco Vezes Favela – Agora por Nós Mesmos’. O cinema é uma coisa maravilhosa, quando nos apanha e nos leva nas viagens dos diretores. Eu também viajei.

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