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Luiz Carlos Merten

03 Julho 2009 | 09h54

Felipe Brida pega carona no post sobre o Clint preferido do Henrique – ‘Cavaleiro Solitário – para dizer qual é o dele, ‘O Estranho sem Nome’, segundo filme (e primeiro western) do ator-diretor, após ‘Perversa Paixão’ (Play Misty for Me), um thriller que antecipa ‘Atração Fatal’, por meio da história da ouvinte desequilibrada que desorganiza a vida de um DJ (o próprio Eastwood). Mais que o estranho sem nome, personagem que interpretava nos ‘spaghetti westerns’ de Leone, acho que estranho é o universo de ‘High Plains Drifter’ – título original do filme -, com aqueles personagens bizarros e o lago (é um lago, não? Faz tempo que não vejo o filme). Mas quero dizer que, na época, o primeiro Clint que realmente elogiei foi ‘Interlúdio de Amor’ (Breezy), que ele fez em 1973, com William Holden e Kay Lenz. Holden faz o coroa amargurado que tem um romance com uma jovem hippie. Num sentido, é o anti-‘Perversa Paixão’, mas a relaçãqo não é serena, pelo estranhamento que causa nos outros. Adoro, deve ser minha origem de estudante de arquitetura – na época, minha opção pelo jornalismo era muito recente -, a arquitetura da casa, toda de vidro, propondo uma transparência que não pode ser assimilada pelo ‘social’ e os personagens vão se encerrando ali dentro, cobrindo-se. Nunca mais revi o filme, não sei como (ou se…) resiste. Gosto de ‘Josey Wales’, que tenho a tendência de grafar como ‘Wells’, sei lá por que, mas não tenho boa lembrança de ‘Escalado para Morrer’, ‘Firefox, a Raposa de Fogo’ e ‘O Destemido Senhor da Guerra’. Gostei de ‘Bird’ sem me empolgar com a saga do jazzista interpretado por Forest Whitaker (e que deu ao ator o prêmio de melhor em Cannes). O primeiro Clint do qual gostei muito, nessa fase mais tardia, é um em relação ao qual a maioria das pessoas que conheço é reticente – ‘Coração de Caçador’, inspirado na mítica rodagem de ‘Uma Aventura na África’, com o próprio Clint encarnando um diretor visionário e aventureiro, mas também autodestrutivo e megalô (Huston, claro). ‘Rookie’, com Sonia Braga, foi outro osso duro de roer, mas depois de ‘Os Imperdoáveis’ Clint se estabilizou na carreira de grande diretor. Adoraria continuar escrevendo sobre ele,. mas quero ver ‘O Contador de Histórias’, de Luiz Villaça, que tem cabine daqui a pouco. Flávia Guerra, em Londres, a essas horas deve estar vendo (ou já viu…) ‘Harry Potter e o Enigma do Príncipe’, cuja cabine será aqui na terça. Não sei de voc~es, mas eu estou muito afim de ver o que o diretor David Yates fez. Em Cannes, quando a entrevistei por ‘Taking Woodstock’, Imelda Staunton não deixou por menos e disse que ele é gênio, mas fez a ressalva de que é outro tipo de gênio, de certo para salvaguardar Mike Leigh e Ang Lee, grandes diretores com quem trabalhou (ou vem trabalhando).