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Luiz Carlos Merten

03 Dezembro 2006 | 15h46

Não faço a menor idéia de quem são Neveldine e Taylor, que assinam, como diretores e roteiristas, o filme que acabo de ver no Marabá, aqui no centrão.Antes do filme, propriamente, dito, o cinema. A PlayArte vive anunciando que tem um projeto para modernizar o Marabá, criando ali várias salas, a exemplo do que fez na Paulista com o Bristol. É bom que o projeto saia logo. Quando cheguei a São Paulo, realizavam-se sessões de imprensa no Marabá. Foi ali que vi, por exemplo, O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme, que ganharia o Oscar. O Marabá está podre. Se a PlayArte não fizer logo sua reforma, daqui a pouco não haverá o que reformar. Quanto a Adrenalina… Quem me conheço, sabe que gosto do cinema de ação. Gosto de Jason Statham, bem mais do que de Steven Seagal e outros brucutus tipo Vin Diesel, mas os filmes dele nunca valeram grande coisa. Adrenalina talvez seja a exceção. A história começa quando o herói descobre que lhe foi injetada uma substância mortal. Ele está morrendo. Sobra-lhe uma hora, no máximo, que quer usar para matar o homem que o condenou. Um médico lhe diz que não há antídoto para a tal droga chinesa que lhe injetaram, mas statham poderá prolongar a vida com adrenalina. Como em Velocidade Máxima, com aquele ônibus que não podia parar, agora é o herói que tem de estar em permanente movimento. Neveldine/Taylor – o que é? Uma sigla, dois caras? Amanhã, pesquiso, agora estou indo para ver outro filme. Como metáfora do cinema de aç~çao, Adrenalina pode ser bem divertido, com seu herói detonado e escroto até o limite. A cena em que ele faz sexo no meio da rua e as reações que provoca em Chinatown são a mais pura subversão do padrão hollywoodiano, onde Stallone e Schwarzenegger, para começar, descarregam a adrenalina em tudo o que é lugar, menos na cama. O filme debocha de si mesmo, o tempo todo. Sexo, violência, criminosos orientais, afro-americanos, chicanos, todo mundo se mata em Adrenalina. E a cena da perseguição de carros dentro do shopping é, como dizem os americanos, ‘outrageous’. Nada disso garante a qualidade de Adrenalina, mas diverte. Enfim, um filme de ação subversivo do próprio gênero. E com um herói apaixonado, ainda por cima.