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Luiz Carlos Merten

29 Março 2012 | 13h33

Longe de mim querer diminuir o grave sentimento de perda produzido pela morte de Millor Fernandes, nosso mestre dos aforismos, que bem pode ter sido o Voltaire brasileiro. Millor ainda morreu poucos dias depois de Chico Anísio e, embora o humor de ambos seja diferente, cada um à sua maneira marcou a história desse gênero no Brasil e o Millor, que sempre foi jornalista, teve o papel que se sabe no lendário ‘Pasquim’. Tudo isso é verdade, mas com toda honestidade tenho de admitir que fiquei muito mais impactado com a notícia da morte de Ademilde Fonseca, a rainha do chorinho. Passei o dia na rua, vendo filmes (‘Fúria de Titãs 2’ e É Tudo Verdade), fazendo entrevistas (com Antônio e Bruno Fagundes, que estreiam ‘Vermelho’ no teatro). Só soube da morte da Ademilde à noite, em casa, ao abrir o computador. Desde então, o ‘Brasileirinho’ está martelando em meus ouvidos. E a Ademilde, além de cantar naquela velocidade incrível, ainda tinha uma sonoridade melódica muito suave, que faz com a música ‘derrape’ nos ouvidos da gente. Com a Ademilde, vieram as saudades das rainhas do rádio, que a gente – eu – via nas chanchadas que povoaram minha infância. Ademilde! O que sei é que, para fazer jus à música, eu a amava com ‘todo o fervor’.