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Luiz Carlos Merten

05 Março 2009 | 15h12

Morreu Salvatore Samperi. Salvatore quem? Pode ser que a maioria de vocês nem tenha registro desse diretor italiano, mas ele teve certa importância nos anos 60 e 70. Samperi foi contemporâneo de Bernardo Bertolucci e Marco Bellocchio, irrompendo nas telas como integrante de uma nova geração que, naquela época, sucedia aos mestres. Mas, enquanto os dois Bs, Bellocchio e Bertolucci, faziam um cinema político, Samperi investia no erotismo, mesmo que seus filmes eróticos fossem crônicas familiares e, portanto, subversivas de valores tradicionais. Lembro-me que ‘Grazie Zia’, com Lisa Gastone e Lou Castel, o adolescente de ‘De Punhos Cerrados’, foi uma das sensações de 1967, por aquilo que era considerado contestação social, além de provocação sexual, dois ingredientes de forte apelo, principalmente nos chamados ‘anos que mudavam tudo’. Seis ou sete anos depois, Samperi fez de Laura Antonelli a própria encarnação de ‘Malícia’. O filme contava a história dessa família que se ressente da morte da mãe. Chega a nova doméstica, interpretada pela futura estrela de ‘Esposamante’. O pai e os três filhos todos perdem as estribeiras e tentam seduzi-la. Há um toque de sadomasoquismo que apimenta a perversão. Samperi podia não ser grande, mas seu charme era inegável e suas estrelas, nota 10. Os anos 80 e 90 não foram bons para o diretor e ele foi desaparecendo. Morreu cedo, aos 64 anos. Pesquisando na internet, descobri que ultimamente andava fazendo séries para televisão, como ‘L’Onore e il Rispetto’, de 2006.