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Cultura » Aboleraram o Tom?

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Luiz Carlos Merten

26 Agosto 2008 | 13h33

É incrível, mas agora que os comentários entram como e-mails na minha caixa postal, para aprovação, volta e meia me surpreendo com textos referentes a posts muito antigos. Hoje, por exemplo, deparei-me com comentários de um post sobre Delmer Daves (e westerns em geral). Que massa! (É Assim que se diz, não?) Mário Kawai comenta que viu dois bons filmes de Tony Gatlif na mostra sobre cinema e música do Centro Cultural Banco do Brasil. Um deles foi o ‘Estrangeiro Louco’, com Romain Durys, que só não é o melhor ator de sua geração, no cinema francês, porque sofre a concorrência de Louis Garrel, que está ‘ali’, na fita de chegada, com ele. Domingo estive no CCBB, mas foi para ver a peça adaptada do romance ‘Dois Irmãos’, de Milton Hatoun. Tive de esperar, e fui ver um show de palhaços no Anhangabaú, pois nem me antenei de ver algum programa do ciclo. Sobre ‘Dois Irmãos’, posso fazer restrições à dramaturgia da peça, mas o espetáculo me emocionou muito. Que história mais bonita, meu Deus! E a Imara Reis e o ator que faz o pai libanês são ótimos. Confesso que fui meio arrastado – o programa, em princípio, não me atraía – e me senti recompensado. Mais um comentário de comentário. Mateus, de Porto Alegre, a propósito do post sobre Fatimarlei Lunardelli, me cobra a foto do túmulo do Bergman, em Farö. Mas eu já postei, Mateus. Em toda a história desse blog, postei apenas duas fotos – na inauguração, uma foto das torres gêmeas, para dizer que não seria um blog de fotos, só de textos; e a exceção, a foto do túmulo do Bergman, singelo, que me tocou muito e eu fiz questão de compartilhar a emoção com vocês, especialmente com os mais ‘bergmaníacos’. Voltando agora à atualidade, ontem não tive tempo de postar nada, como vocês bem perceberam. Pela manhã, revi ‘Ensaio sobre a Cegueira’ e gostei mais do filme do Fernando Meirelles. Não sei se foram as mudanças – pequenas, mas decisivas: Fernando remixou o som, corrigiu a luz, tornando menos ‘radicais’ os contrastes de César Charlone e, principalmente, reduziu as narrativas do personagem de Danny Glover, o que potencializa a reflexão final que ele faz. Mas o que me fez entrar no filme, que eu achara ‘frio’ em Cannes, foi o uso que ele faz das mãos de seus atores para expressar a fragilidade dos personagens, vítimas da cegueira branca. Revi o filme no Cinemark do Shopping Market Place e queria ter corrido para a coletiva com o diretor e as atrizes Julianne Moore e Alice Braga, no Hotel Hyatt (na Marginal Pinheiros). Não deu, pois tive de voltar correndo à redação para redigir as entrevistas com Carol Jabor e Lula Buarque de Hollanda, diretores de ‘O Mistério do Samba’, na edição de hoje do ‘Caderno 2’. Na seqüência, voltei à Marginal e, desta vez, sim, fui para o hotel, onde pude, enfim, ter os meus oito minutos (foram um pouquinho mais…) com Julianne. A entrevista está na capa de amanhã do ‘Caderno 2’. Sorry, se eu parecer metido, mas Julianne lembrava-se de mim. De onde nos conhecemos, perguntou? De Nova York, Julianne, da junket de ‘Os Esquecidos’. Ela é maravilhosa e o bom é que não faz digressões, agilizando as respostas e permitindo novas perguntas, mesmo num prazo curto. Conversamos sobre sua preferência pelo cinema de autor – Todd Haynes, Tom Kalin e Fernando Meirelles (sim) – e, quando lhe perguntei se ela tinha algum favorito entre os filmes que fez, nem lhe deixei tempo para responder. Fui logo dizendo que o meu era ‘Fim de Caso’, do Neil Jordan (mas poderia ser ‘Longe do Paraíso’, de Haynes). Julianne adora ‘Fim de Caso’, que considera um de seus melhores papéis. Embora curta, foi uma boa entrevista (acho) e hoje Julianne estará no Rio para a pré-estréia do filme, que entra dia 12 (meu aniversário) com cem cópias, em todo o País. Duas semanas mais tarde, em 24 de dezembro, ocorrerá a estréia nos EUA e aí serão 1500 (sim, mil e quinhentas) cópias. Falei também com Fernando e Alice Braga, mas as entrevistas deles vão ficar para o lançamento. Isso me tomou quase que o dia todo e à noite ocorreu o lançamento do livro ‘Salmo 91’, com o texto da peça de meu amigo (e editor) Dib Carneiro Neto, no Teatrix da Rua Peixoto Gomide. Estavam lá Gabriel Vilela e sua intrépida trupe – os atores que fizeram a peça adaptada de ‘Estação Carandiru’, de Drauzio Varela -; Tiago Lacerda, com quem Gabriel vai fazer ‘Calígula’, de Camus, com tradução do Dib; Silvana Arantes; e um monte de gente bacana, com quem foi ótimo conversar. Já dei uma geral sobre ontem. Daqui a pouco, eu volto para o hoje, que vai incluir, à noite, o show de Roberto e Caetano sobre músicas de Jobim. A coisa promete, mas Jotabê Medeiros já me jogou um pouco de água fria. Ele acha que os dois ‘aboleraram’ o Tom. Será? Vou lá conferir.