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Cultura » A sombra do Che

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Luiz Carlos Merten

08 Fevereiro 2008 | 05h58

BERLIM – É quase meia-noite aqui na Alemanha. Como vocês estão três horas antes, quase 9 da noite aí no Brasil. A chuva de ontem deu lugar a um frio seco que entra pela roupa e gela até a alma. Estou redigindo este post do quarto do hotel, no meu laptop, o que significa que vocês terão direito a acentos e a cedilha. Mas não vou nem tentar postar hoje. Sei lá por quê, mas meu wireless não está funcionando no hotel, só no Palast, onde quasse fui preso hoje (já contei no post anterior). Embora esteja somente há um dia na Alemanha, já fiz umas cinco ou seis vezes o caminho do meu hotel até o Palast. Estou aqui em Potsdamer Platz, a uns dez minutos de caminhada do palácio do festival. Tenho passado sempre pelas Martin Gropius Bau, a casa construída perlo arquiteto Martin Gropius que abriga os estandes da produção internacional. A dois passos da Martin Gropius Bau, a Wild Bunch criou umas espécie de casa de campanha para promover o díptico de Steven Soderbergh sobre o Che. Uma foto – enorme, aquela emblemática – aponta o caminho. Maria do Rosário Caetano, mulher do meu colega Zanin (Luiz Zanin Oricchio), ia chorar se aqui estivesse. A Wild Bunch encheu a rua de pôsteres com chamadas revolucionárias e cartazes que evocam os tempos da ditadura de Fulgencio Batista, nos quais o Che e Camilo Cienfuegos, com fotos dos atores que os interpretam (Benicio Del Toro está igualzinho), são caçados como ‘perigosos criminales’. Sei não, mas acho que o Che de Soderbergh vai para Cannes. Só não deve estar aqui em Berlim porque ainda não está pronto. A Berlinale e o Che teriam tudo a ver. E é no mínimo curioso que uma empresa como a Wild Bunch – cujo nome homenageia o western clássico de Sam Peckinpah que passou no Brasil como ‘Meu Ódio Será Sua Herança’ – esteja promovendo o revival do grande ícone revolucionário.

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