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Cultura » À sombra de Kubrick (e Chernobyl)

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Luiz Carlos Merten

20 Junho 2011 | 22h49

De volta a casa. Não relatei o que foi meu dia com a coletiva de ‘Transformers – O Lado Oculto da Lua’, as mesas com Josh Duhamel e Rosie Hutington e a one a one com Michael Bay. A mulher é o que há. Chegou para a coletiva com um longo que tinha uma fenda lateral que deixava a coxa à mostra. Posso ser pouco fashion, mas sei que é moda. Angelina Jolie fez a montée des marches em Cannes com uma roupa parecida. As entrevistas foram divertidas. Rosie, a cara de Victoria Secret, está há dois anos com Jason Statham e o garanhão de ‘Carga Explosiva’ obviamente está lhe fazendo (muito) bem. Ela fala com toda naturalidade da relação, sem exagerar nos detalhes, mas também sem pitis em defesa de sua privacidade. Josh Duhamel também falou com imenso carinho de sua Fergie e do amor que a mulher tem pelo Brasil. Disse que, ao contrário dele, Fergie nasceu to be star. Em casa, ela canta e dança e faz dele o espectador privilegiado do espetáculo em que transformou sua vida. Finalmente, Michael Bay. Lembrei-o de nosso primeiro encontro. Teria de pesquisar se foi 1995, mas acho que sim. Estava em Cannes, tinha ido ao escritório da Columbia e a publicista, à beira de um ataque de nervos, me disse que havia um novo diretor, um cara cujo filme – ‘Bad Boys’ – havia estourado nos EUA e ele estava ali, sem agenda. Ela deixou subtentendido que lhe faria um favor, se o entrevistasse. Ali, onde? Estávamos no Hotel Carlton, na suíte California, que fica no térreo e tem um jardinzinho (mais pedra do que verde). Michael Bay estava lá, abandonado. Conversei com ele e publiquei, no ‘Estado’, sua primeira entrevista na imprensa brasileira. Não quero furar o ‘Caderno 2’, mas a nova entrevista ficou bem legal. Falamos de Stanley Kubrick, de Hal-9000, homens e máquinas, mídias sociais, atores, montagem (edição) e 3-D. Bay, Duhamel e Rosie devem estar embarcando agora para Moscou, onde, na quinta, ocorre a junkett mundial de ‘Transformers 3’. Por que a Rússia? O filme começa em plena Guerra Fria, durante a conquista espacial, e prossegue em Chernobyl. Acho interessantes essas coincidências. Em Berlim, havia, este ano, aquele filme – ‘Innocent Saturday’, de Alexander Mindadze – sobre o dia seguinte em Chernobyl. Quis saber de Josh Duhamel onde foram filmadas as cenas que supostamente se passam à sombra da usina que abrigava o reator nuclear. Sua resposta – ‘Detroit’. O desmantelanento da indústria automobilística dos EUA transformou Detroit numa terra de ninguém, tão inóspita e deserta quanto Chernobyl. Pelo que Duhamel sugeriu, nem foi preciso maquiar muito as velhas fábricas abandonadas. Impressionante.

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