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À sombra de Kobayashi

Luiz Carlos Merten

19 Maio 2011 | 14h14

CANNES – Quem me acompanha sabe do meu amor por Masaki Kobayashi. Dedicou ao grande cineasta japonês um dos capítulos de meu livro, ‘Cinema – Entre a Realidade e o Artifício’. Talvez exagere, mas sou eu. Considero ‘Rebelião’ o maior dos filmes japoneses, um cult, para mim, da intensidade de meu amado ‘Rocco’. Estava louco para ver ‘Hara-kiri, Death of a Samurai’. O filme de Takeshi Miike é o remake do ‘Hara-Kiri’ de Kobayashi, com o grande Nakadai, que foi premiado aqui em Cannes nos anos 1960. Takeshi Miike mostrou no ano passado, em Veneza, ‘Treze Assassinos’, que é sua revisão de ‘Os Sete Samurais’, de Akira Kurosawa. Não vi o filme, mas Carlos Eduardo, de Londrina, que assistiu ontem à sessão comigo, disse que o remake de Kobayashi dá de dez no outro filme. Amanhã, vou entrevistar o diretor. Claro que pretendo falar sobre essa obsessão por refazer os clássicos do cinema do Japão. O ‘Hara-kiri’ de Miike filtra o de Kobayashi pelo melodrama. O filme antigo é melhor, indiscutivelmente. Mas eu gostei da nova versão e gostei principalmente do que vou dizer agora. Miike incorpora outro Kobayashi, o de ‘Rebelião’, a ‘Hara-kiri’. O filme é sobre esse samurai que vinga a morte de um jovem forçado a cometer seu suicídio ritual com uma espada de bambu. No final, ele enfrenta seu inimigos com uma espada de bambu, só para mostrar que é o melhor. É Nakadai, mostrando a Toshiro Mifune que poderia vence-lo, mas se deixando matar no desfecho de ‘Rebelião’ por uma decisão ética. ‘Hara-kiri’ é sobre dignidade, honra. Num mundo tão sórdido como o que a maioria dos filmes de Cannes 2011 retratam, eu confesso que tenho necessidade desse tipo de coisa. O ‘Hara-kiri’ de Kobayashi era em preto e branco. O atual é em cores (e 3-D). O curioso é que, como o filme de Almodóvar, ‘Hara-kiri’ também não deixa de ser uma história de vingança.

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