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Cultura » A saída, onde fica a saída?

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Luiz Carlos Merten

17 Julho 2009 | 10h23

O novo-riquismo de Paulínia irrita muita gente e eu senti ontem na pele o que é a mania de grandeza do município. O Theatro (com H) Municipal de Paulínia fica fora da cidade, num descampado. É um prédio faraônico, como se, do meio do nada, surgisse aquela esfinge pós-moderna com fachada de templo grego. Deixei o teatro lá pelas 11h30. Não passava um carro lá fora e, menos ainda, alguma alma solitária, caminhando para cá ou para lá. Como os paulinienses devem se achar o centro do mundo, não existe uma placa sinalizando que rumo tomar para São Paulo ou Campinas. Como não havia a quem perguintar, fizemos, o motorista do jornal e eu, duas ou três tentativas de sair daquele imbroglio, até encontrar num ponto de ônibus um sujeito que gentilmente nos forneceu o fio para sair daquele labirinto. Pelamor de Deus! Uma plaquinha não vai prejudicar a ‘harmonia’ urbanística da área próxima ao teatro. Feita a ressalva, quero dizer que tive bons momentos de conversa no teatro, enquanto aguardava o início da programação. Reencontrei amigos – Pedro Butcher, Marcelo Miranda, João Jardim etc. Ouvi comentários sobre os principais concorrentes. Fico meio chocado quando vejo coleguinhas tendo orgasmos com o fracasso de certos filmes (‘Destino’, de Moacyr Góes, com Lucélia Santos, produção da Diler), mas faz parte. ‘Moscou’, de Eduardo Coutinho, foi o melhor documentário para a crítica e ‘Antes Que o Mundo Acabe’, de Ana Luiza Azevedo, a melhor ficção. ‘Caro Francis’, de Nelson Hoineff, e ‘O Contador de Histórias’, venceram os prêmios do júri popular. O júri oficial premiou ‘Só Dez por Cento é Mentira’, de Pedro Cezar, como melhor documentário, e ‘Olhos Azuis’, de José Joffily, como melhor ficção. Falei rapidamente com Joffily e ele me disse que seu filme, distribuído pela Imagem – alô, alô Rodrigo Fante, quero ver! -, estreia só em março do ano que vem. É muito chão pela frente. Desanima ter de esperar tudo isso! Mas estou curioso. Havia filmes de propostas mais ambiciosas, os de Roberto Moreira e Eduardo Valente, contemplados com prêmios de interpretação. Tinha certeza de que as atrizes de ‘Quanto Dura o Amor?’ iam ganhar, mas me parece exagerado dividir um prêmio entre três. Êta, jurizinho indeciso. Adhemar Oliveira, o sr. Espaço Unibanco, vai ficar p… comigo, mas não me esqueço que em Gramado ele já integrara outro júri que se dividira, esquizofrenicamente, entre filmes impossíveis de premiar conjuntamente. Enfim, já fui jurado e sei que é preciso ser punk para não ceder à conciliação.