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A Quinta de Curd Jurgens

Luiz Carlos Merten

12 Abril 2007 | 10h45

A cada cinco anos o festival de Cannes edita um álbum luxuoso contando a história do maior evento de cinema do mundo. Como esta será a 60ª edição do festival, Cannes não vai deixar por menos e vai apresentar alguma coisa muito elaborada e sensacional. Hoje de manhã, antes de vir para o jornal, fucei lá nos meus livros para achar a edição do 55º aniversário. Queria ver o que dizia sobre A Árvore dos Tamancos, vencedor da Palma de Ouro em 1978. O filme de Ermanno Olmi foi lançado em DVD, conforme descobri outro dia, ao pesquisar preços no site da 2001. Encontrei coisas muito interessantes. Foi o primeiro ano de Gilles Jacob como delegado-geral e ele assumniu provocando – disse que o cinema amrericano era uma Bela Adormecida à espera de seu príncipe! No ano anterior, Roberto Rossellini presidira o júri que deu a Palma de Ouro a Pai Patrão, dos irmãos Taviani. O filme era produzido pela RAI, que vinha patrocinando os filmes do pai de Isabella Rossellini. Não foram poucos os comentários de que ele estaria servindo a seus empregadores. O próprio Rossellini veio a público para defender a escolha. Disse que o futuro do cinema estava na parceria com a TV e empenhou todo o seu prestígio intelectual na defesa do belíssimo filme dos irmãos Taviani. Pois bem – no ano seguinte à Palma de Pai, Patrão, outro filme italiano levou o prêmio e desta vez ninguém fez indagações ao júri presidido por Alan J. Pakula e integrado, entre outros, por Liv Ullman e Andrei Konchalovski. A Árvore ganhou à l’unanimité, por unanimidade. Como Cannes é uma mistura de mundanidade e arte, deixo para falar de A Árvore dos Tamancos no próximo post e reproduzo aqui uma nota da edição daquele ano do livro com a história oficial do festival. O hoje esquecido Curd Jurgens, astro alemão, deu uma grande festa, à qual compareceu todo o jet-set, para inaugurar sua nova casa e apresentar ao mundo a quinta mulher. A casa, conta a nota, situava-se nas colinas que dão para o porto de Cannes, com uma vista magnífica. Tinha duas peças, apenas. Seria, presumo, o que hoje se chama de loft. Uma grande sala capaz de abrigar 300 pessoas e um quarto também enorme. Em toda a casa, havia apenas um móvel, uma cama. Atração da festa, a mulher (jovem) de Curd Jurgens. Ele foi muito aplaudido ao ler um telegrama que recebeu de seu amigo, o maestro Karajan. “Vá em frente, Curd. A Quinta, como a de Beethoven, é sempre a melhor.”

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