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Cultura » A propósito de Ugo Pirro

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Luiz Carlos Merten

11 Novembro 2007 | 17h42

César Murilo Jacques anda no meu pé, querendo que eu reveja conceitos dos anos 60, herdados supostamente de ‘Cahiers du Cinéma’, sobre o cinema de autor. É verdade que cito ‘Cahiers’, na fase da capa amarela, sem nunca ter lido a revista, ou tendo visto um ou outro exemplar. Passei a comprar, nos anos 80, mas virou compulsão de colecionador. Às vezes nem abro para saber o que tem… Mas é um fato que ‘Cahiers’ foi muito importante para o pessoal da minha geração, lá em Porto – Jefferson Barros, Enéas de Souza, José Onofre, Marco Aurélio Barcellos. César me critica porque, ao citar Elio Petri, não lembrei o roteirista Ugo Pirro, mas poderia me cobrar também por que, ao citar Visconti não me refiro a Suso Cecchi d’Amico nem da dupla Flaiano/Pinelli a propósito de Fellini. Talvez até devesse, porque o aporte de Bernardino Zapponi coincide com a fase de Fellini de que menos gosto e o Visconti da fase alemã, também a que menos gosto, foi feita em parceria com Nicola Badaluco e Enrico Medioli. Aliás, quando citei o homossexualismo a propósito da trilogia alemão de Luchino, nem era tanto sobre os temas dos filmes, mas a do próprio Visconti, porque está para nascer quem me convença que a paixão platônica de Dirk Bogarde pelo Bjorn Andresen, que Visconti procurou por toda a Europa, porque queria um tipo de garoto andrógino em particular, seja coisa puramente de esteta em ‘Morte em Veneza’. Mas é legal que o César tenha feito seu comentário porque me permite escrever uma coisa. A pedido de Aleksei Abib, co-roterista de ‘A Via Láctea’, de Lina Chamie, redigi na semana passada um texto para o site da categoria. Aleksei gostou e disse que deve colocar na rede acho que nesta semana. Discuto justamente a questão da autoria, tomando como referência, ou ponto de partida, a polêmica sobre o autor de ‘Cidadão Kane, se teria sido o diretor Orson Welles ou o roteirista Herman Mankiewicz (irmão de Joseph). Já havia mandado meu texto quando, na sexta, conversei com Eduardo Escorel, um dos curadores do restauro digital da obra de Leon Hirszman. Eduardo foi, é, além de cineasta, um grande montador. Perguntei, meio jogando conversa fora, se os filmes de Leon eram difíceis de montar? Ele disse que Leon, como Joaquim Pedro, planejava seus filmes nos detalhes, escrevendo roteiros cheios de anotações que não diferiam muito dos filmes acabados. Era muito diferente de Glauber, que reinventava e se afastava do roteiro, à medida que ia filmando. Queria postar essa declaraçãon do Eduardo e sugerir que lessem o site dos roteiristas, mas, sinceramente, esqueci o endereço eletrônico. Aleksei, socorro! Deixa o endereço pra gente…