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‘A Princesa e o Sapo’

Luiz Carlos Merten

06 Dezembro 2009 | 13h03

Fui ver ontem a pré-estreia de ‘A Princesa e o Sapo’ no shopping Market Place, pela manhã. Muitas crianças, seus pais, naturalmente, e o elenco de dubladores, entre os quais reconheci somente o cara que fazia o Raj na novela ‘O Caminho das Índias’. Ao contrário de ‘O Fantástico Sr. Raposo’, que se assume como animação para adultos e está sendo lançado somente com cópias legendadas, ‘A Princesa e o Sapo’ assume que é infantil e entrará somente com cópias dubladas. Vivi momentos de terror no Market Place – não, não foi o medo que desabasse mais um pedaço (foi lá que ocorreram os ‘incidentes’, não?). As salas lotaram rapidamente eu fui parar na 7, na segunda fila. Até aí tudo bem. Entrou uma família. Pai, mãe, filhos. O pai sentou-se ao meu lado. P… cara ansioso. Desinteressou-se do que se passava na tela uns 5 minutos depois. Puxou o celular do bolso e ficou horas conferindo recados, mandando e-mails, sei lá, com aquela luzinha ligada. Ia reclamar, e em geral reclamo, mas não queria bater boca, quem sabe ofender o cara diante dos filhos, não que ele não merecesse. Quando terminou o brinquedinho, ele levantou para buscar pipoca, a mulher foi ao banheiro, um dos filhos foi… Não sei onde. Gente, é inenarrável como existem pessoas sem um pingo de civilidade. Pois ‘A Princesa e o Sapo’ resistiu a tudo. Visitei o estúdio da Pixar, em Los Angeles, e o próprio John Lasseter explicou como e por que seus amigos e ele, os gênios da animação por computador, tendo assumido o controle da Disney, resolveram homenagear o velho Walt, fazendo uma animação tradicional. Não havia avaliado isso quando conversei com ele, sem ter visto o filme – apenas algumas cenas. ‘A Princesa e o Sapo’ não é tradicional só na técnica, que foi sobre o que conversamos mais. Baseia-se num conto de fadas, que os diretores John Muskers e Ron Clemens, de ‘Aladdin’, subvertem desde o interior, criando a primeira princesa negra da Disney e transportando a história para New Orleans, com o acréscimo do vodu entre as ferramentas do vilão da trama. A musicalidade é tão forte que o público aplaudia, no fim de cada música, e, no final, houve um grande aplauso. ‘A Princesa e o Sapo’ vai fazer sucesso? É tão diferente do que o público está acostumado a ver, atualmente. A incorporação de elementos fantásticos, expressionistas, a importância atribuída à morte, no desfecho, tudo foi feito para evocar ‘Branca de Neve’, ‘Bambi’. Estou curioso para saber o que vocês, os mais jovens, vão pensar. A propósito, à espera do começo da sessão, dei uma passada pela Livraria Cultura, para conferir os lançamentos. Havia este livro, ‘A Magia da Pixar’, contando a história de como o estúdio se consolidou. Dei uma folheada e cheguei a ‘Ratatouille’, que amo (vocês sabem). Soube que um blogueiro americano, um cara influente – deveria ter guardado o nome –, fez a maior campanha contra, porque considerava nojento o conceito de um rato cozinheiro. Mas o bacana de ‘Ratatouille’ é isso! E nojo? Só se a animação fosse uma forma de expressão ‘realista’, o que não é! Fiquei de cara. E gostando ainda mais do meu rato ‘chef’.