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Luiz Carlos Merten

13 Junho 2007 | 19h18

Mais um postezinho rápido, antes de sair. Achei muito bonita a adaptação de Luiz Fernando Carvalho de A Pedra do Reino, mas admito que vi a microssérie no estúdio, sem intervalos, e em condições acho que ideais de imagem e de som. Achei meio dispersiva no começo, mas era intencional, porque o quebra-cabeças de tempo e espaço que LFC propõe, a partir do livro de Ariano Suassuna, logo começa a se encaixar. O problema é que foge às convenções narrativas do produto audiovisual televisivo. Até meus colegas hoje, no jornal, reclamaram do que viram ontem. Disseram que preferiam ter visto com legendas, para tentar entender. O primeiro capítulo teve 12 pontos de audiência, o que na Globo é fracasso. O problema é que a emissora emendou A Pedra no Casseta e Planeta. Eu próprio sintonizei no horário e pensei comigo – depois desse besteirol todo, a massa de telespectadores deve estar mudando de canal ou desligando a TV. Não deu outra. Mas é tão bonito! E o Irandhir Santos é ótimo, fazendo Quaderna nas três idades. Só LFC para transformar em astro de um programa tão ambicioso um desconhecido como o Irandhir. Espero que a audiência hoje deslanche, mesmo que o capítulo seja curto (por causa do futebol). Vou apelar, dizendo que começa agora a voltagem erótica, com as duas mulheres de Quaderna e, principalmente, a paixão de Sinésio por Heliana, a quem ele surpreende lavando os seios com mel. LFC com certeza não criou a cena como apelação, mas porque o erotismo faz parte do universo labiríntico e mágico de Suassuna. Quem está apelando sou eu, na tentativa de levantar (sem trocadilho) a audiência!

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