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Cultura » A nova fronteira

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Luiz Carlos Merten

05 Fevereiro 2009 | 13h27

BERLIM – Mais uma rapidinha antes do festival. Abri ontem meus e-mails e encontrrei um da Lia Vissotto, cuja assessoria, a Cinnamon, vai fazer a divulgação do É Tudo Verdade, anunciando que Avi Mograbi estará em São Paulo na próxima edição do evento. Como, você não sabe quem é Avi Mograbi? O e-mail informa que se trata do maior documentarista israelense e eu não saberia muito mais sobre ele se não tivesse tido um choque vendo ‘Z 32’, que integrou a programação de Veneza no ano passado. Que que é isso, meu Deus? Uma tragédia musical documentária. Um ex-soldado israelense que participou de uma missão de represália durante a qual dois palestinos foram mortos. Atormentado pela culpa, ele busca perdão e conta, voluntariamente, diante da câmera, o que fez. Mas para manter sua identidade, usa uma máscara, não a máscara tradicional, mas uma tridimensional que permite ao espectador ver seus olhos (e confirmar a sinceridade do que diz). Não é a mesma coisa, mas tem a ver com as técnicas criadas por David Fincher e sua equipe de especialisatas para mostrar o rejuvenescimento de Benjamin Button. O visual de ‘Z 32’ impressiona, mas a complexidade ética e política é que, no limite, desconcerta e faz pensar. Só por ‘Z 32’ a ida de Avi Mograbi a São Paulo já deve fazer com que você se sinta comprometido, desde agora, com o próximo É Tudo Verdade. Amir Labaki sabe onde pesquisar – e buscar – suas novidades de choque. Documentário e ficção já são coisa do passado. As novas fronteiras, como provam Mograbi e Ari Folman – ‘A Balsa de Nashir’ -, são entre documentário e animação, numa linha que inclui ‘O Dossiê Rê Bordosa’.