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Cultura » A Mostra! Hoje!

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Luiz Carlos Merten

19 Outubro 2007 | 11h55

Com a Mostra iniciando para o público daqui a pouco, após a sessão de ‘O Passado’ para convidados, ontem à noite, quero ver se consigo manter a regularidade de ir comentando os filmes no dia-a-dia. Hoje está meio difícil, porque tinha muitos textos para redigir para o Caderno 2 – incluindo a entrevista com Gael García Bernal, que fiz ontem à tarde – e daqui a pouco tenho de correr para outras entrevistas, com Claude Lelouch e as atrizes de ‘O Passado’. Mas quero dizer que hoje, sexta, o primeiro dia da 31ª Mostra, está muito animado. Assim, de relance, listei uns 20 filmes que valeria ver, tarefa, evidentemente impossível – nem se a gente conseguisse se clonar. Sugiro algumas coisas que considero imperdíveis, por mais desgastada que esteja a palavra. Vamos por pasrtes, como diria o esquartejador –
‘Não Toque no Machado’ (Ne Touchez pas la Hache), a revisão de ‘A Duquesa de Langeais’, de Balzac, por Jacques Rivette, com duas interpretações magistrais de Jeanne Balibar e Guillaume Dépardieu. Te cuida, Gerard, porque o garoto – que não se dá muito bem com o pai – é bom demais.
‘Sombras de Goya’, que repete o fenômeno ‘Na Época do Ragtime’ na obra do diretor Milos Forman. Os críticos – eles! – diziam que era um fracasso, mas aquele Forman subestimado era coisa de gênio, o que também me pareceu o caso de ‘Sombras de Goya’, recebido a pancadas no exterior. Já escrevi, e repito, que os dois filmes que mais me impressionaram, no Festival do Rio, foram este e ‘O Assassinato de Jesse James’. Vejam os dois. Comecem hoje por ‘Sombras’.
‘A Questão Humana’, novo filme de Nicolas Klotz, o diretor de ‘La Blessure’. Klotz ainda não é muito conhecido no Brasil, mas esta investigação de métodos nazistas utilizados no gerenciamento de empresas neste admirável(quá-quá) mundo globalizado é explosiva, embora, claro,muita gente vá dizer que ele é um esquerdista desatualizado e retrógrado.
Control é inspirado na vida – barra-pesada – do vocalista Ian Curtis, da banda Joy Division. Preparem-se para um choque. O ator Sam Riley é um assombro, sendo ‘possuído’ pelo personagem como a Marion Cotillard de ‘Piaf’.
Pode-se fazer um duplo de Glauber Rocha, com a versão restaurada de ‘A Idade da Terra’ – no qual não consigo entrar, tenho de admitir, depois de rever o filme no Rio – e o documentário ‘Diário de Sintra’, da última mulher de Glauber, Paula Gaetán, do qual gostei bastante, até por essas imagens do próprio cineasta, na intimidade, falando sobre arte, morte, revolução…
E ainda existem outras sugestões – ‘Deficit’, a estréia de Gael García Bernal na direção (e amanhã haverá debate com ele, após a projeção do filme na FAAP, às 19 horas); ‘Nascido e Criado’, de Pablo Trapero, do qual gostei muito, ao ver o filme em Gramado; ‘O Banheiro do Papa’, de César Charlone e Enrique Fernández, também premiado em Gramado; ‘Juízo’, de Maria Augusta Ramos, sobre as varas da infância e juventude. Gosto demais do filme em que a diretora, impossibilitada (pela legislação) de mostrar a cara de menores infratores, inventou uma solução maravilhosa, que faz com que seu documentário, de alguma forma, trafegue nas bordas da ficção. Ela filma a audiência, tal como ocorreu, mas numa verdadeira ginástica da câmera substituiu os menores por atores que ‘representam’ os papéis.
Para relaxar, vejam ‘Branca de Neve Depois do Casamento’, de Picha, um animador francês que seria barrado em Hollywood por suas safadezas.

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