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Cultura » A Mostra, da crítica a Benigni

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Luiz Carlos Merten

01 Novembro 2006 | 16h11

Participei da votação, agora de manhã, do prêmio da crítica da 30ª Mostra. Selecionamos um filme brasileiro e outro que representa o cinema internacional. Devo dizer que fiquei satisfeito com as escolhas, mas me fizeram jurar que não ia publicar nada no blog, para não tirar a graça do anúncio que será feito amanhã à noite, na festa de encerramento no Auditório Ibirapuera, quando também será projetada a versão restaurada de Macunaíma, de Joaquim Pedro. Devo dizer que gosto bastante da obra mineira de Joaquim, mas não muito da tropicalista. Macunaíma nunca me convenceu como tentativa de interpretação do Brasil, da nossa identidade cultural. Nem é tanto a questão do conceito. Sempre achei o filme muito truncado, seu humor me parece (ou parecia) pesado. Confesso que nunca consegui rir vendo Macunaíma. Vou rever quando voltar ao cartaz na sexta. Afinal, é uma obra importante e o Joaquim Pedro é uma figura essencial (gosto muito de O Padre e a Moça e Os Inconfidentes). De volta ao prêmio da crítica, tive de ouvir a piada do Leon (Cakoff) que é, um pouco, a mesma que me faz meu editor no Caderno 2, Dib Carneiro – que eu sou um perigo e consigo furar, no blog, o material que eu mesmo publico no Caderno 2. Isto posto, depois a gente comenta a escolha da crítica. Quanto à Mostra, propriamente dita, olhei a programação de hoje e confesso que não tive vontade de indicar muita coisa. Estou curioso pelo American Combatant, sobre o atentado de 1987 ao World Trade Center, e já expliquei por quê. Conheci o diretor Charles Libin en passant (literalmente). Estava ali no porão da Mostra (o escritório do subsolo no Hotel Crowne Plaza), peguei o folheto do filme e olhava quando passou aquele cara, que se apresentou como o diretor. Conversamos e achei o Libin bem inteligente, o que me criou expectativa pelo filme. Tomara que seja bom. Passa às 22h10 no Arteplex 1. Às 22h30, no Arteplex 3, passa o Babel, do Iñárritu, que já andei comentando quando passou no Festival do Rio e, antes disso, em Cannes. Dib me contou que viu o filme ontem à noite no Morumbi Shopping e achou aflitivo. Disse que nunca viu uma platéia tão tensa, tão silenciosa. Não vou dizer que Babel é ruim, mas me impressionou menos do que Amores Brutos. Acho que o artifício dramático para unir as diferentes histórias é muito evidente. O filme é muito armado para provocar um determinado impacto. Mas uma coisa há que reconhecer – o mundo globalizado que Iñárritu filma é um horror. O mundo está todo interligado, para o bem e para o mal, mas ninguém se comunica, todos se trumbicam. A UIP lança Babel em janeiro, após o anúncio do Globo de Ouro (e do Oscar). Iñárritu não acredita muito nas chances do filme para a Academia de Hollywood. Jura que vai ficar surpreso, se ganhar alguma indicação, pois o filme segue na contramão do que a academia defende (e gosta). Para concluir – se tiver tempo, ou se sair a tempo do jornal, quero ver Roberto Benigni no CineSesc, às 19h30. Não sou grande fã do Benigni, mas vi metade de O Tigre e a Neve no Festival de Berlim. Tive de sair no meio e estou com o filme entalado, até agora, sem saber direito o que pensar. Vamos ver se hoje chego até o fim.

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