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Luiz Carlos Merten

12 Outubro 2010 | 13h26

Liguei para Margarida Oliveira, que faz assessoria da Mostra, atirando numa direção – precisava de um número de telefone – e ela me deu duas informações que repasso imediatamente para vocês, porque sei que vão gostar. ‘Carlos’, de Olivier Assayas, a versão integral – 330 minutos -, está confirmado na Mostra e eu peço por favor que vocês já tratem de arranjar agenda, porque vai valer a pena. Não vou dizer que o tempo passe voando, mas as 5h30 não pesam, ou não me pesaram, mesmo que a hora final seja um tanto atropelada (para concluir?) e não mantenha o mesmo nível de excelência das precedentes – mas o filme é bom demais, Meu Deus. Mais do que uma condenação sumária do terrorismo, Assayas propõe uma outra coisa e nos ajuda a entender as oscilações – transformações – da geopolítica nas últimas décadas, incluindo a derrocada do comunismo, que desenhou um novo mapa mundial de alianças econômicas e políticas. Gosto muito de Assayas e, a propósito, conversando com Michael Madsen, no Festival do Rio, ele me disse que o filme que fez com o autor francês,’Boarding Gate’, foi uma das melhores experiências de sua vida, até porque compartilhava suas cenas com Asia Argento e descobriu no set que seu nome havia sido proposto ao diretor pela filha de Dario Argento. Outro filme que acaba de ser confirmado – o documentário de Martin Scorsese sobre Elia Kazan. Este, eu nem sabia que existia, e olhem, que entrevistei Scorsese em Berlim, em fevereiro. Aliás, como uma coisa vai puxando a outra, bastou escrever aqui o nome de Kazan para lembrar que o crítico francês Michel Ciment, que vai integrar o júri da Mostra em 2010, é ótimo papo. Foi ele o interlocutor de Scorsese em sua master class no Festival de Cannes. Ciment é autor de livros de entrevistas com John Huston e Elia Kazan. Ele reuniu os dois num só volume, que a Mostra bem poderia se encarregar de distribuir no Brasil ou, pelo menos, propor que seja editado pela Imprensa Oficiail ou pela Cosac Naify, com quem tem parcerias regulares. Os cinéfilos agradeceriam, como vão agradecer a inclusão de ‘Carlos’ entre os títulos da programação.