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Luiz Carlos Merten

11 Outubro 2008 | 19h18

Cheguei ontem no final da tarde, após uma maratona de aeroporto e trânsito de São Paulo, que me deu a impressão de estar particularmente caótico. Jantei com amigos para botar a vida em dia e desmaiei. Hoje, queria ter ido ao médico, mas tinha de ser muitro cedo, por causa da coletiva da mostra. Perdi a hora, mas aproveitei para fazer um exame de sangue e, aí sim, corri para o Arteplex, onde Leon Cakoff e Renata Almeida já iam apresentar os destaques do evento que começa na quinta-feira que vem para convidados e na sexta para o púiblico. A 32ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo está prometendo. Vou dar uma pincelada rápida sobre o que a maratona nos reserva. Wim Wenders aceitou a carta branca que a mostra lhe deu e vem à cidade para justificar suas 15 escolhas de filmes, incluindo dois de Ozu e dois de Truffaut, entre eles ‘Fim de Verão’ e ‘O Garoto Selvagem’, que estão entre os meus favoritos. Wenders também escolheu o filme romeno ‘Como Festejei o Fim do Mundo’, de Catalin Mitulescu, que eu não sei se já confessei – quando fui jurado da Caméra d’Or e vi que não ia conseguir emplacar nem o mexicano ‘El Violin’ nem o espanhol ‘Homor de Caballeria’ e muito menos o paraguaio ‘Hamaca Paraguaya’, tentei convencer meus colegas jurados a votar no ‘Como Festejei’, mas eles preferiram outro filme da Romênia, ‘A Leste de Bucareste’. Ainda não conferi a lista, mas espéro que Leon Cakoff esteja trazendo o novo filme do Serra. Se em ‘Honor’ ele se voltou para o ‘Quixote’, Serra volta-se agora para outro mito, o dos Três Reis Magos. O cara não é mole, não. Benicio Del Toro deve vir para a sessão de encerramento, para prestigiar a apresentação de ‘Che’, de Steven Soderbergh. Já no próximo fim de semana a mostra apresenta a versão restaurada de ‘O Poderoso Chefão’, a primeira parte, que tanto sucesso fez no Festival do Rio. A mostra vai ter duas apresentações do filme e, mediante sei lá que processo, vai conseguir exibir o filme sem as necessidades de parar a sessão que ocorreram no Rio. Imagino que aqui vá ser a mesma coisa – jovens que só conhecem o ‘Chefão’ do DVD vão poder redescobrir o clássico de Coppola na telona. Preparem-se! De minha parte, fiquei tentado por um programa que, espero, não vá interessar somente a mim. No começo dos anos 80, surgiu aquele diretor inglês, o Hugh Hudson, com ‘Carruagens de Fogo’ e ‘Greystoke, a Lenda de Tarzan’. Amo o segundo, que não deixa de ser ‘O Garoto Selvagem’ de Hugh Hudson, com seu personagem dilacerado entre instinto e civilização e confrontado com a necessidade de dominar as ferramentas da linguagem (e da cultura). Hudson vai ser jurado da mostra e deve trazer a versão revisitada de ‘Revolução’, que ele remontou. Amava o diretor, como já disse, mas aí ocorreu este filme na carreira dele, foi um fracasso monumental e o Hudson nunca conseguiu se recompor. Como será esta versão ‘ideal’ de ‘Revolução’? Será boa? Tomara. Dito isso, a mostra vai ter mais 300 motivos para ir ao cinema. Vou olhar a lista com atenção e começar a postar alguns textos sobre filmes que me parecem essenciais. Aguardem.

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