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Luiz Carlos Merten

11 Agosto 2009 | 15h36

GRAMADO – Tive uma manhã movimentada, redigindo o texto da edição de amanhã do ‘Caderno 2’ e depois assistindo aos debates dos filmes de ontem. Helena Ignez e Djin Sganzerla foram maravilhosas. Tenho cada vez mais respeito por Helena, que, como intelectual – diretora -, é muito articulada, falando com toda abertura de suas escolhas. Tenho carinho por Djin. Ela parece tão delicada, tão frágil e não deve ser fácil carregar o peso de dois nomes tão grandes, tão icônicos como seu pai, Rogério Sganzerla, e a mãe, musa do Cinema Novo. Perguntei sobre isso a Djin, que foi melhor atriz do ano, por ‘Meu Nome É Dindi’, na premiação da APCA, Associação Paulista dos Críticos de Artes. Assim como tenho carinho por sua filha, me emociona o carinho que sinto que Helena tem por mim. São coisas que, às vezes… Qual será o termo? Me deixam perplexo. Era jovem, muito jovem em Porto Alegre quando comecei a ver Helena Ignez naqueles filmes míticos. ‘O Padre e a Moça’, ‘O Assalto ao Trem Pagador’… Vieram mais tarde ‘Cara a Cara’, ‘O Bandido da Luz Vermelha’ e ‘A Mulher de Todos’, já noutra fase do cinema brasileiro (e da carreira dela). Jamais imaginei que um dia estaria conversando com Helena como converso hoje. E não apenas ela… Almocei com o Marcos, da revista ‘Teorema’, mais um pessoal da Unisc, Universidade de Santa Cruz, onde leciona minha ex-mulher, Doris Bittencourt, mãe da Lúcia (na pós-graduação de Arquitetura). Marcos, além da revista, trabalha na Sala P.F. Gastal, na Usina do Gasômetro, em Porto, que virou uma referência em circuito alternativo para todo o País. Porto tem visto filmes que não passam em lugar nenhum do Brasil, nem na Mostra nem no Festival do Rio. Já sugeri que eles e seus amigos virem distribuidores independentes, para suprir o que está virando uma carência para todos nós, cinéfilos. Quem vai trazer os melhores filmes que vi em Cannes este ano? Estou falando de ‘Tetro’, de Coppola; de ‘Independencia’, de Maya Martin; e ‘Mother’, do cara de ‘O Hospedeiro’, o Joon Bong não sei das quantas… Foi uma conversa muito legal. Teria sido arrematada de forma perfeita se, na hora da sobremesa, eu pudesse ter comido sagu, um de meus doces preferidos, mas essa é uma coisa a que tive de renunciar, por causa da diabete. Sagu! A minha madeleine!