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A ‘máscara’ (ou maldição) de Barbara Steele

Luiz Carlos Merten

09 Junho 2010 | 17h05

Permitam-me voltar a Barbara Steele. Estava salvando o post anterior, quando achei que ela mereceria um post inteiro. Fui pesquisar na internet se estava viva e o primeiro texto já a define como ‘the most beautiful star of the greatest horror masterpiece of italian cinema’, a mais bela estrela do maior clássico de horror do cinema italioano – estamos falando de ‘A Maldição do Demônio’, de Mario Bava, de 1960, que estrelou aos 20 e poucos anos. Barbara Steele nasceu em 1937 ou 38, há controvérsia quanto à data. Já passou dos 70, mas está viva. Nos anos 1950, ela foi uma starlete inglesa, em filmes de Wolf Rilla e Ralph Thomas, mas em 1959 fez um policial do qual gosto muito, ‘Safira, A Mulher Sem Alma’, de Basil Dearden, embora no meu imaginário este thriller seja dominado pela poderosa presença cênica de Yvonne Mitchell. Comecei falando sobre Barbara e agora faço um hiato para dizer duas ou três coisas sobre Basil Dearden. Além de ‘Safira’, ele fez também ‘Meu Passado Me Condena’, Victim, e ambos os filmes foram muito importantes no cinema inglês da época. ‘Meu Passado’, com Dirk Bogarde, levou inclusive à mudança de uma lei, datada do reinado de Victoria, que penalizava o homossexualismo como crime e deixava os gays à mercê de chantagistas (como conta a trama). “Meu Passado’ era ousado há quase 50 anos e permanece forte, conforme pude confirmar em Cannes Classics, no ano passado. Leonard Maltin não exagera ao dizer que é ‘still absorbing’, both as entertainment and social comment. Essa força, como diversão e comentário social, também caracteriza ‘Safira’, sobre garota negra que se passa por branca, como em ‘Imitação da Vida’, de Douglas Sirk, mas a de Basil Dearden é assassinada, expondo o racismo da sociedade inglesa. Como já disse, lembro-me, perfeitamente, de Nigel Green e Yvonne Mitchell, a propósito de ‘Safira’, mas não de Barbara. Não creio, porém, que ela fosse a garota assassinada e sim, uma de suas colegas, talvez (era uma estudante de música). Seja como for, o tipo físico de Barbara, seus grandes olhos e a tez pálida, que lhe dava a aparência ‘necrofílica’, a transformaram em musa do horror nos filmes de Roger Corman (‘A Mansão do Terror’), mas principalmente nos que fez na Itália, com Mário Bava, o citado ‘Máscara do Demônio’, e também Riccardo Freda (‘O Segredo do Dr. Hitchcock’) e Antonio Margheritti (‘A Dança Macabra’ e ‘A Máscara do Demônio’). Convertida em musa do horror, Barbara ganhou papeis em filmes de Fellini (‘Oito e Meio’), Monicelli (‘Brancaleone’, no episódio que se passa em Bizâncio) e até Volker Schlondorff, na Alemanha (‘O Jovem Torless’). Era uma atriz talentosa e mulher interessante. Vou voltar à rede e sugiro que façam o mesmo, em busca de obras mais recentes que ela tenha interpretado.