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A lei é para quem?

Luiz Carlos Merten

31 Agosto 2017 | 09h21

Vimos juntos, sentados lado a lado, Alessandro Giannini e eu, o Bingo. Gostei dos atores – Vladimir Brichta e Augusto Madeira, com aquela risada que copiou de um assistente no estúdio, me disse o diretor Daniel Resende -, mas não do filme. Cheguei a comentar com o Gia. Se esse filme fizer sucesso, não entendo mais nada. Infelizmente – para a produção – estava certo. Passaram-me os números ontem na pré-estreia de Polícia Federal, e são um desastre. O filme é até bem escrito, realizado, montado, mas o personagem não segura. Um horror. Para ser interessante, o foco teria de ser outro. Lava-Jato, perdão, Polícia Federal – A Lei É para Todos, tenho a impressão de que vai pelo mesmo caminho. O filme de Marcelo Antunez tem uma bela cena – a briga familiar, entre pai e filho, na hora da refeição. O pai petista, ou simpatizante, acusando o filho investigador de parcialidade. Algo de genuíno se passa ali. Tem a ver com os atores, Genézio de Barros e Bruce Gomlevsky – os melhores em cena -, mas também expõe essa fissura que ameaça cindir a sociedade brasileira. O filme é o primeiro do que pretende ser uma série. Pensando em termos de público, acho que pode funcionar melhor na TV. É só um palpite, posso estar errado. E o que derruba o filme é o xis da questão. Não estou nem discutindo se o filme é parcial – é. Totalmente. Marcelo Serrado como o juiz Moro e Ary Fontoura como Lula são o ó. Não tem a ver com os atores, especificamente. Marcelo já fez coisas boas e, por mim, Ary teria sido o melhor ator do ano pela mãe travesti de A Guerra dos Rocha. Moro no filme é um boneco de cera. Se era para passar a imparcialidade da Justiça, comigo não funcionou. Está mais para zumbi. E o Lula do Ary é… o Ary fazendo sua boca de velhaco. Talvez também fosse intencional, mas é horrível. Converso daqui a pouco com o diretor. Estou bem afim dessa conversa.