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Luiz Carlos Merten

17 Abril 2009 | 15h15

Vivi hoje pela manhã o que meu ex-editor Evaldo Mocarzel definiria como experiência ‘epifânica’, assistindo ao novo filme de Carlos Sorin, ‘A Janela’. Sorin é o diretor de ‘Histórias Mínimas’ e ‘O Cachorro’. Coincidência ou não, a história de ‘A Janela’ parece mínima e mais de um cachorro invade a imagem. Confesso que não sou parâmetro e até me surpreendo quando tanta gente diz que se identifica com o que escrevo (e gosto). Considerando-se o mau humor da maioria dos coleguinhas, eu tenho muito mais prazer assistindo a filmes que reconheço não serem grandes experiências ‘artísticas’, mas que, de alguma forma, me dizem alguma coisa. Agora, a tal epifania é rara. Tive duas, em 2009, incluindo todos os filmes que vi no Festival de Berlim, um dos três maiores do mundo (com Cannes e Veneza). Uma foi com ‘O Estranho Caso de Benjamin Button’, o suntuoso (melo)drama de David Fincher com a dupla estelar Brad Pitt/Cate Blanchett, Hollywood no mais alto grau, e hoje o filme do Sorin, mais latino-americano impossível. Não sei se a história de um velho que decifra o enigma da própria vida interessa a muita gente, mas a mim encantou. Não por acaso, é o tema daquele que considero o maior filme de Ingmar Bergman, ‘Morangos Silvestres’ (e olhem que também amo ‘Gritos e Sussurros’). Sorin refez Bergman, sem ‘Morangos’, na campanha. A janela do título abre-se para os pampas, mas ela também é metáfora do cinema e do movimento interior que o velho protagonista realiza, em busca de um momento mágico que viveu 80 anos antes. Quando ele o reencontra… Vejam. O filme é repleto de referências literárias (Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares) e musicais (a valsa de Chopin reinventada por Nicolás Sorin, que não sei se é filho, irmão ou sobrinho do diretor). Carlos Sorin vem dia 27 a São Paulo para a pré-estréia do filme. Estou até repensando se vou ao Recife para a abertura do Cine PE. Adoro o festival dos Bertini, Alfredo & Sandra. Mas Sorin, em São Paulo, e com um filme tão especial, é coisa de não perder.

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