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Luiz Carlos Merten

22 Fevereiro 2011 | 13h10

Olá! Cá estou eu de volta a São Paulo, depois de um dia batendo perna em Paris. Aliás, o que menos fiz, para dizer a verdade, foi bater perna. Cheguei por volta do meio-dia local (8 da manhã no Brasil), tinha matéria para o ‘Caderno 2’ (a entrevista com Asghar Farhadi que está hoje no jornal) e queria ver filmes. Vi três, e agora quero dar notícia só de um. Nunca havia visto o cultuado ‘Now Voyager’ no cinema. Conhecia o melô de Irving Rapper com Bette David e Paul Henreid da TV (as madrugadas da Globo), onde passava como ‘A Estranha Passageira’, e dublado. Ontem, não resisti. Teria muitas outras coisas para ver, mas queria desfrutar na telona da célebre cena em que Henreid acende os dois cigarros e estende um par Bette e também ouvir, no original. a réplica final -‘Para que querer a lua, se temos as estrelas?’ Não me arrependi. Comprei, na sequência. um novo livro sobre Jeanne Moreau, ‘L’Insoumise’, e li no voo, antes de dormir, me lembrando de certos papeis de Jeanne como expressões da admiração da grande atriz por Bette.  Vou voltar a esse belo livro. O autor chame Moireau (esqueci o primeiro nomer, preciso checar). Antecipo o choque que tomei ao descobrir – nunca li nem ouvi falar disso, nem a própria Suso Cecchi d’Amico me revelou essa história  -, mas Luchino Visconti queria Jeanne no papel de Nadia em ‘Rocco e Seus Irmãos’. Só depois que ela disse não, presa a outro compromisso, ele buscou outra atriz francesa e escolheu Annie Girardot. Será verdade? E, se Jeanne fosse Nadia, ‘Rocco’ seria tão bom? Eu amo Jeanne Moreau, mas Nadia, na obra-prima de Visconti, tem simplesamente a maior atuação do cinema (para mim). Vocês já tinham ouvido falar nisso?