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A história de Eddy Duchin

Luiz Carlos Merten

14 Outubro 2009 | 12h42

Entrei ontem no site da 2001 – www.2001video.com.br –, em busca de informações para o serviço da página de DVD do ‘Caderno 2’, e topei mais uma vez com ‘Melodia Imortal’, de meu querido George Sidney, anunciado entre os lançamentos. Sidney é um daqueles diretores que os críticos tendiam a negligenciar, mas sempre foi cultuado. Antônio Moniz Vianna o amava, também, e eu me lembro que quando ele criou uma filmografia de grandes diretores, no extinto ‘Correio da Manhã’, Sidney mereceu tratamento especial, tendo sua obra dissecada em três domingos sucessivos. Sidney foi um ás do musical, mas também era bom no drama e na aventura. Sua versão de ‘Os Três Mosqueteiros’, com Gene Kelly como D’Artagnan e Lana Turner como Milady, é maravilhosa – tenho até medo de rever , para não tocar na bela lembrança que guardo daquele clássico. Comprei o DVD, mas ele lá está, ainda envolto no celofane. Gene Kelly, de espada na mão, é pura coregrafia. E ‘Scaramouche’? O duelo entre Stewart Granger e Mel Ferrer era, se não continua sendo, o mais longo do cinema (e é esplendidamente filmado). ‘Melodia Imortal’ surgiu numa época em que Hollywood estava cultivando as cinebiografias de atores, cantores, bandleaders, músicos em geral. No original, chama-se ‘The Eddy Duchin Story’ e conta a história do pianista, interpretado por Tyrone Power (que é dublado por Carmen Cavallaro). Impecavelmente realizado e com uma trilha magnífica, o filme carrega no melodrama, contando a história de amor terminal entre Power e Kim Novak – que Sidney amava tanto que ela apareceu em vários filmes dele, incluindo ‘Meus Dois Carinhos’ e outra cinebiografia, ‘Lágrimas de Triunfo’, sobre Jeanne Eagles. Faz tempo que não vejo ‘Melodia Imortal’, que é de 1956 e, aliás, contemporâneo de ‘Serenata’, de Anthony Mann, com Mario Lanza – que vocês amam e me espinafram cada vez que falo mal daquele canastra. O próprio ‘Serenade’ foi feito dois anos depois de ‘Música e Lágrimas’, também de Mann, sobre Glenn Miller e com James Stewart como o bandleader. Deus do céu! Só de lembrar desses filmes, a música já vem aos meus ouvidos. O tema de ‘The Eddy Duchin Story’, ‘Moonlight Serenade’… Me deu agora uma vontade imensa de (re)ver ‘Melodia Imortal’. P… filme triste, meu. E o Tyrone Power… O post poderia continuar indefinidamente. Embora galã, e machão – daqueles de revólver e espada em punho –, Power era bissexual, tendo tido um caso breve, mas rumoroso, com Errol Flynn, por quem foi sinceramente apaixonado. A natureza feminina do astro, sua sensibilidade, tudo contribui para a eficiência do retrato do artista em ‘Melodia Imortal’. O filme de Sidney pede revisão.