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Luiz Carlos Merten

17 Julho 2007 | 17h39

Recebi agora, aqui na redação do Estado, um regalo da Coleção Videofilmes – o DVD de A General, com a comédia clássica de Buster Keaton e Clyde Bruckman, acrescido de dois extras preciosos e que são outras comédias do homem que não ria nunca, Má Sorte e Uma Semana. Keaton não foi só um gênio do humor. Foi um gênio do cinema. Sem o sentimentalismo de Chaplin – contra o qual não tenho nada, porque, como diz Caetano Veloso, pode-se ser sentimental, popular e grande, mas este é um atributo de artistas superiores, como Fellini e Chaplin -, Keaton desenvolveu um método baseado na crueldade e que transforma o acúmulo de dificuldades na própria dinâmica da gag. Isso se verifica em A General, que trata da sua relação com uma locomotiva, durante a Guerra Civil americana. Nunca ninguém filmou a Guerra Civil como Keaton, que se baseou, com seu co-diretor, numa história real para mostrar esse sujeito anônimo que resolve vencer a guerra sozinho, contando só com sua locomotiva, a general. A precisão de detalhes é impressionante e culmina na cena em que o trem despenca da ponte em chamas – em 1926! Mas esse acúmulo de detalhes e dificuldades era só uma das facetas do gênio de Keaton. Ele também sabia ser onírico e, em maio, pudemos ver em Cannes cenas selecionadas de Sherlock Júnior, no qual o sonho se mistura com a realidade e se torna impossível saber se ele está ou não dentro do filme que projeta. Curioso. É assim que estou me sentindo. Postando um texto que não sei se será lido porque tem gente que diz que não está me encontrando no meu blog! Estou me sentindo keatoniano. Brincadeirinhas à parte, A General é um grande filme para (re)ver e colecionar.