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Cultura » A festa do cinema

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Luiz Carlos Merten

29 Maio 2007 | 14h14

PARIS – Ouço dizer que Piratas do Caribe 3 não foi o estouro de bilheteria anunciado. Como todo mundo, achei o primeiro filme divertido, mas o segundo me decepcionou e não foi por ser intermediário, sem começo nem fim. Acho O Império Contra-Ataca o melhor filme da primeira (agora segunda trilogia) Guerra nas Estrelas e As Duas Torres a melhor parte de O Senhor dos Anéis. O problema de Piratas 2 é que tudo era over do over. Que porre! Ainda não tive tempo de ver Piratas 3, embora para todo lado que me vire aqui em Paris tenha uma sala exibindo o filme. No Brasil, onde estreou com 700 cópias, é a mesma coisa, ou pior. O bom de ir ao cinema em Paris é o circuito alternativo, os cinemas de arte/ensaio que funcionam a todo vapor. Aqui pertinho do hotel em que estou, no Quartier Latin, o Cine Champo apresenta, em diferentes horários e salas, retrospectivas de Joseph L. Mankiewicz, Sacha Guitry e Atom Egoyan, mais a versão completa, restaurada, de A Mulher na Areia, de Hiroshi Teshigahara, que Andrucha Waddington nunca viu, mas contém a semente de Casa de Areia. Uns 50 metros adiante, A Filmoteca Quartier Latin apresenta dois ciclos de deixar cinéfilo doido – Les Incontournables du Film Noir e Les Incontournables du Western. Os imperdíveis do filme noir e do western. Vi hoje pela primeira vez na vida, no cinema, À Beira do Abismo, de Howard Hawks, com a dupla clássica Humphrey Bogart/Lauren Bacall. I’m in heaven porque vi também La Charge de la 8ème Brigade, que é como se chama aqui Um Clarim ao Longe, de Raoul Walsh, com Troy Donahue no papel do tenente Matt Hazard, que tenta impedir a guerra com os índios. Foi o primeiro filme sobre o qual escrevi na vida, em 1964. Pretendo voltar a estes filmes. Agora, vou sair – para ir ao cinema de novo. Acho que vou encarar a versão integtral de O Portal do Paraíso, de quando MIchael Cimino era bom.

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