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Luiz Carlos Merten

22 Maio 2008 | 14h23

CANNES – Acabo de ver – finalmente! – `A Festa da Menina Morta`, de Matheus Nachtergaele, na mostra Un Certain Regard. Tenho de ir para outra sessão da mostra competitiva, a do italiano `Il Divo`, de Paolo Sorrentino, autor do qual gosto bastante, e não tenho tempo para formalizar uma opinião definitiva. Mas já que vocês me cobram, vamos lá. Achei o filme desequilibrado e, para ser honesto comigo mesmo, com muita coisa ruim, ou que não me agradou. Existe todo um aspecto primitivo e mesmo brutal – o sexo entre pai e filho, a matança do porco, a volta da mãe – que me cansa. Um candsaço estético, não sei se vocês entendem. Me pareceu muito uma estética de choque, a la ‘Serbis’, o filme do filipino Brillante Mendoza que tem a cotação mais baixa no quadro de avaliações do festival pela crítica internacional – menos de uma estrela (0,7). Mas Matheus é talentoso e cria, com a cumplicidade do diretor de fotografia Lula Carvalho, momentos esplendorosos. A vida nesta comunidade que gira em torno da menina morta e do irmão dela que virou mulher é muito opressiva, mas tem um momento, no auge da festa, em que as coisas finalmente fazem sentido e há até uma melancolia, uma tristeza que não é alheia à do filme do Mendoza Brillante. Curioso, isso.