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A família de Trapero

Luiz Carlos Merten

17 Julho 2011 | 09h42

Conheço Matteo desde que era bebê. Matteo é o filho de Pablo Trapero e Martina Guzmán e a primeira vez que o vi foi quando os pais vieram trazer ‘El Bonaerense’ no Festival do Rio’, em 2002. Desde então, acompanhei o crescimento do pibe (garoto). Matteo está com 9 anos. Ontem foi seu primeiro dia de férias. Reencontrei-o no CineSesc, onde fui entrevistar Trapero. Deveria ter entrevistado também Miguedl Littín, mas ele cancelou sua vinda para o 6º Festival de Cinema Latino-Americano porque sua mãe, imasginmo que bem idosa, está mal. Trapero veio a São Paulo para a retroispectiva do novo cinema argentino no Festival Latino. Ele apresentou ontem seu primeiro longa, ‘Mundo Grua’, de 1999. No final, não houve debate porque o diretor, depois de conversar comigo, se mandou para o hotel, para assistrir a Argentina e Uruguai, na Copa América. Gosto do cinema de Pablo Trapero, mas gosto dele como pessoa. Forma um belo casal com Martina. Ela foi jurada em Cannes, em maio. Como marido de jurada, Pablo disse que tinha todas as mordomias, mas não os encargos do festival. Assistiu de camarote a todos os filmes da seleção oficial. Agora, é o contrário. Como mulher do diretor, ela o acompanha, em mais esta viagem ao Brasil. Daqui, eles vão para Praia Grande, para quatro noites, sem computador nem nada. Só lazer. Posso ser um velho tolo, mas me encanta acompanhar, mesmo que à distância – mal falei com o pibe -, o crescimento de Matteo porque virou uma espécie de complemento do crescimento do próprio Trapero como diretor. Martina fez piada – na próximas vez que o vir, provavelmente ele já estará com uma namorada. Ela é um encanto, e linda., Gustavo Spolidoro estava na sessão. Um dos organizadores do CEN, Cine Esquema Novo, autor do belo ‘Morro do Céu’ – a versão documentária de ‘Os Famosos e os Duendes da Morte’ -, Gustavo gosta particularmente de ‘Família Rodante’. O filme de Trapero é sobre essa família que viaja de Buenos Aires a Misiones, atravessando a Argentina numa direção. Deveria ter sido o primeiro longa do diretor, que o escreveu para sua avó, quando ela tinha 75 anos. Os produtores arrepiaram com um filme com tantos deslocamentos e personagens, Trapero terminou fazendo, na urgência, ‘Mundo Grua’, quje Gustavo Spolidoro não conhecia (e foi conferir). Contou-me que, jovem ainda, sua família fez uma viasgerm similar, de descoberta do Brasil, indo do Rio Grande ao Nordeste, de treiler (ou é trailer? Não, trailer é de filme). Havia bom público assistindo a ‘Muindo Grua’, mas houve um momento em que se formou uma fila enorme no CineSesc. Era gente retirando ingresso para assistir a ‘Um Corpo Que Cai’, Vertigo, de Alfred Hitchcock, numa sessão extra, à meia-noite. Novo cine argentino, Trapero, Hitchcock. A diversidade faz a força do cinema e os jovens sabem disso. Eles eram maioria na fila de Hitchcock e na sessão de ‘Mundo Grua’. Ah, sim. Traedro trabalha na pós-produção de ‘Um Dia em Havana’. É um filme em episódios, feito por diretores de todo o mundo (Elia Suleiman, Gaspar Noé, dele e mais quatro). O dia de Trapero é martes, terça-feira e o episódio é sobre um dia na vida de um grande diretor, Emir Kusturica, que é homenageado no Festival de Havana. O Kusturica da ficção está em crise. Seu motorista é um dublê de músico que vai se imiscuindo em sua vida. Fiquei morrendo de vontade de ver.