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A euforia de filmar de Johnny To

Luiz Carlos Merten

11 Fevereiro 2008 | 14h44

BERLIM – Gracas a Deus, ainda bem que Johnny To existe! Ia escrever isto ontem à noite, depois de ver ´Sparrow´, do diretor coreano, até como provocacao a Leon Cakoff e José Carlos Avellar, que se sentaram ao meu lado. Nenhum dos dois é fan do cineasta, e o Leon volta e meia me olhava e cutucava – Olha a felicidade dele! Numa boa. Eu estava feliy menos. ´Sparrow´ – e o cinema de Johnny To em geral – tem uma coisa que me encanta. É a euforia de contar uma história. Esta alegria é uma coisa que está se perdendo – já se perdeu? – mesmo no cinema de grande espetáculo. ´Sparrow´ é um filme de samurais urbano, um spaghetti western sem Leone e sem a trilha de Morricone, embora tenha músicas maravilhosas (baixadas de Marte, como disse Kleber Mendonca). Conta a história de quatro batedores de carteiras que se envolvem com mulher misteriosa, a quem resolvem ajudar, pois ela é escravizada por um chefao do crime. Dois quebram a perna, um fica de maoh enfaixada e o último quebra a cabeca. Nem por isto deixam de ser heróis. As cenas que mostram os caras baatendo carteira deixam claro que Johnny To viu ´Pickpocket´e que, à sua maneira, ele homenageia Bresson, mesmo sem querer ser como ele. A cena decisiva ocorre sob a chuva, quando o herói – e seus tres irmaos – ´duelam´ com os guarda-chuvas dos oponentes. Johnny To viu ´Cantando na Chuva´(quem nao?) mas sua referencia aqui é outra. Aquele filme de espionagem do Hitchcock nos anos 40. Como se chamava? ´Correspondente Estrangeiro´? Me deu um branco. O que posso garantir é que saí levinho do cinema. É verdade que hoje de manhah minha alegria foi meio que disspiada. Tive um choque ao rever o ´Tropa´, com outro tipo de platéia que nao a brasileira. O cara do meu lado passou meio filme baixando a cabeca nas cenas de violencia. Nao queria ver. Claro. O cinema brinca de violencia o tempo todo. Anestesia a gente. Ali nao é brincadeira, nao, e o meu desconhecido companheiro de sessao sabia disso, mesmo que talvez nao quisesse admiti-lo. . Que filme!

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