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Cultura » A eternidade e um dia

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Luiz Carlos Merten

22 Novembro 2006 | 10h48

TESSALONICA – Havia gente pelo ladrao no Cine Olympion, para a homenagem a Wim Wenders, na noite de ontem. Apos o minuto de silencio do Altman, o mestre de cerimonias chamou ao palco o homenageado e Theo Angelopoulos, das maos de quem o proprio Wim disse que queria receber seu Alexandre de Ouro especial, pela carreira. Wenders era chamado de Senhor Cinema nos anos 80. Meio que perdeu o rumo, mas estah voltando a ser o que era. Estah fisicamente estranho – cabelo longo, fala pausada, professoral, como se fosse um padre. Seu encontro com Walter Salles, na manhah de ontem, foi maravilhoso – dois amigos falando de sua preferencia pelo road movie, o filme de estrada. Angelopoulos nao vinha a Tessalonica, pelo que entendi, hah tres anos. Apos o fracasso de publico do belissimo Eleni, virou um recluso, estrangeiro na propria terra. Acho que Wenders, ao ser homenageado, resolveu resgatar tambem o proprio Angelopoulos. O que ele disse foi lindo – “Obrigado, Theo, sei o quanto lhe custou estar aqui, A eternidade e um dia.” Wenders foi aplaudido de peh, Seguiu-se a exibicao de Alice nas Cidades, o prototipo do road movie wendersiano. Por que a estrada? Porque ela representa o desconhecido. Porque o personagem, no filme de estrada, busca o horizonte e, quando chega lah, ele descobre que hah outro horizonte ah frente. Jogamos conversa fora, apos a homenagem a Wenders. Suzana Schild, Lucy e Paula Barreto, Sara Silveira. Chegaram depois Marcelo Gomes, Karim Ainouz e Hermila Guedes. Brincamos, Paula, Suzana e eu, de qual era o pior Wenders (jah que o cara teve uma fase muito ruim, da qual ressurgiu agora com Estrela Solitaria). Chegamos ah conclusao que eh O Hotel de Um Milhao de Dolares. Nao vale um cent, disse Suzana – aquele filme. No conjunto, o cinema de estrada de Wenders merece respeito e possui picos (Alice e Paris, Texas, entre outros). Nao por acaso, Walter Salles, a quem Wenders trata como igual, refere-se a ele como `o Mestre`.