As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

A eterna ‘Emmanuelle’

Luiz Carlos Merten

18 Outubro 2012 | 20h29

Com a volta da sessão de sexo da Band, nas madrugadas de domingo, tenho me lembrado de Sylvia Kristel, a eterna Emmanuelle. A série que Just Jaeckin iniciou em 1973 prosseguiu com outras atrizes e, para se renovar, acrescentou elementos de ficção científica ao coqwuetel. Emmanuelle ensina os alienígenas a fazer sexo… No começo dos anos 1970, o sexo explícito estava virando uma indústria nos EUA e produzia suas estrelas (e autores). Marilyn Chambers estrelou um cult que nunca vi, ‘Por trás da Porta Verde’, Gerard Damiano criou o mito Linda Lovelace com ‘Garganta Profunda’ e depois investiu na putaria existencial com ‘O Diabo em Miss Jones’, com Georgina Spelvin. Virou o Sartre do pornô, dentro daquela facilidade que tem a crítica para rotular. Os norte-americanos mandavam ver. Como reação, Just Jaeckin inventou o porno soft, ou porno chic. Mas para isso ele precisava de uma mulher especial. Foi a chance de Sylvia Kristel. Ela havia sido modelo juvenil, Miss TV Europa em 1972. A série ‘Emmanuelle’ não tinha, tem – parece que estão fazendo uma ‘Emmanuelle 3-D -, penetração. Sylvia era linda e Jaeckin a filmava sempre elegante, pelo menos até tirar a roupa, com filtros. Eles fizeram mais uma ‘Lady Chatterley’ na mesma linha, nada que se compare à de Pascale Ferran. Em 1976, Sylvia fez seu melhor filme, ‘Alice ou A Última Fuga’, Nunca mais o vi, mas me lembro, na época, de ter gostado da livre adaptação que Claude Chabrol fez da heroína de Lewis Carroll. Ninguém se chama Alice impunemente no cinema. O que mais me lembro do filme é de Sylvia caminhando, subindo uma escada. Ela parece ondular em cena. Sensualidade pura. Sylvia caou-se, teve filho, separou-se, casou de novo. Desde 2003, lutava contra um câncer da garganta, o que pode estimular fantasias do amigo leitor, mas no porno chic de Jaeckin o sexo era só simulado. E não foi a garganta que a matou, mas um derrame, que sofreu em julho, em casa. Levada aso hospital, não saiu mais. Foi se debilitando, debilitando. No ano passado, Sylvia disse que adoraria farer um papel em ‘Emmanuelle 3-D’. Sinceramente, não sei se fez. O que sei é que dirigiu um curta, ‘Topor et Moi, que não era ruim. Queria uma segunda chance? Talvez. Não teve tempo. Sylvia Kristel morreu aos 60 anos. Tanto quanto a ela, o post é dedicado, perdão pela vulgaridade, aos punheteiros do qual foi musa. E eu adoraria rever aquele Chabrol.