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Luiz Carlos Merten

27 Junho 2009 | 10h33

Tive ontem, um dia agitado… Perguntou-me quantas vezes já comecei assim um post. E me inquieto – o que vai ocorrer quando meus dias começarem calmos? Não sou exatamente o modelo contemplativo e encontro o meu equilíbrio no movimento. Até para ler – leio muito nos carros do jornal, em aviões. Tenho uma colega, Maria da Glória Lopes, que até já se consultou com um médico, porque não consegue se concentra para ler dentro de um carro ou ônibus. Eu me sinto em casa. E não faço, nunca faço, anotações nas páginas. Tenho respeito demais pelos meus livros para deixá-los marcados… Eles têm vida própria. Tirando os de cinema, só passam por mim e vão parar em outras mãos. Para que impor aois outros as minhas anotações? Terminado o devaneio, quero dizer que tinha os filmes na TV de sábado para fazer (ontem) e, na sequência, corri para o Cinemark Pátio Paulista para ver ‘A Era do Gelo 3’. Ainda não tinha ido ao novo espaço. Achei legal, mas o acesso me pareceu meio confuso. Achei meio maluco que a bilheteria fique de um lado e não tenha acesso direto. É prerciso recuar sobre os passos e retomar um corredor pelo qual já se passou. Eu, hein? Fora isso, adorei o ‘Era do Gelo 3’. Corri para o jornal e entrevistei, pelo telefone, o Saldanha. Conversamos sobre os temas – família, responsabilidade, amizade -, sobre o fato de, enfim, o esquilo apaixonado por sua avelã ganhar uma trama que corre ao longo de todo o filme e sobre técnica, o 3-D. Até por aquilo que a gente vive dizendo – para combater a pirataria -, o 3-D é a aternativa da indústria e o estúdio, Blue Sky, tem projetos nos próximos cinco anos todos em terceira dimensão. Saldanha confirmou qe, pode sim, sair um ‘Era do Gelo 4’, aliás, o projeto já está em discussão, mas ele já encerrou sua cota e poderá ser só produtor. Para cada filme da série, Saldanha teve um filho, ou melhor, filha (são tr~es). O que me lembrou o encontro com a produtora Iafa Britz no set de ‘High School Musical – O Desafio’. Iafa é da Total, a produtora de ‘Se Eu Fosse Você’. Ela teve um filme na primeira comédia de Danisel Filho, outro na preparação do segundo e agora Daniel Filho brinca que a Iafa precisa engravidar de novo para que ele possa fazer o 3. Outros produtores já me contaram histórias de gestações de filmes e filhos, e eu acho muito vital as duas coisas andarem unidas. De volta a Saldanha, ele me contou o ‘seu’ projeto. Achei lindo – a história de uma arara criada nos EUA, que volta em visita ao País e redescobre sua identidade brasileira. Vocês não acham que dá um grande filme? Conversei esta semana com Henerique Goldman, o diretor de ‘Jean Charles’. O filme dele conta a história do mineiro morto no metrô de Londres, mas, na verdade, é um filme sobre brasileiros no exterior. Talvez seja metafórico, e até insconsciente – mas não -, que Henrique conte sua história do ângulo de Vanessa Giácomo e, no final… Vocês vão ver. Henrique e, quem sabe, parte da geração dele que não via futuro aqui, foi para o mundo. No caso dele, de classe média, nem era tanto a questão da sobrevivência financeira. Era outra coisa. A busca da informação, do conhecimento, do desconhecido. No filme do Henrique, só morto o brasileiro volta. A questão é sempre manter a identidade lá fora. Como é ser brasileiro, vivendo no exterior? Comparativamente, achei interessante a proposta de Saldanha. Sua arara, americanizada e abrasileirada de novo, será uma nova formatação do velho Zé Carioca. E a personagem trará, embutida, a questão da ecologia, da grande floresta… Fiquei nos cascos. Mas houve ainda outro assunto com o Saldanha e, na verdade, já havia sido amplamente tratado na coletiva de Robert Zemeckis, quando foi apresentar em Cannes a sua versão de ‘A Christmas Carol’, de Dickens, que soma a animação motion capture, da qual o diretor gosta, com 3-D. Achei aquele ‘Bewoulf’ horrível, mas vamos esperar o ‘Conto de Natal’, com Jim Carrey e Colin Firth. O assunto em discussão na coletiva de Zemeckis e na entrevista de ontem do Saldanha foi, em grande parte, o futuro da terceira dimensão e a expecrtiva por ‘Avatar’, o novo James Cameron, que estreia no fim do ano. Cameron foi um diretor que fez avançar a rtécnica, e não apenas na série ‘O Exterminador do Futuro’. Sobre seus ombros parece repousar o futuro dessa tecnologia, embora eu ache que a expectativa seja menos pela técnica em si e mais por sua utilização como ferramenta para contar uma história (e não apenas alimentar efeitos). Fui depois à Fox, para ver ‘A Vida Secreta das Abelhas’ na cabine e o diretor geral (é o cargo, não?) Tito Liberato me disse que já viu um trecho de ‘Avatar’, o mesmo que foi apresentado para executivos e distribuidores internacionais em Amsterdam, nesta semana. ‘Avatar’ será distribuído pela ‘raposa’ no Brasil. Tito assinou um termo de compromisso de que não divulgaria nada sobre o que viu. Fez muito bem, porque se me tivesse contado alguma coisa eu não resistiria e reproduziria aqui. Só disse que é impressionante. Por mais suspeito que seja o Tito – James Cameron pode nao estar pensando só nisso, mas com certeza não acharia mau bater o recorde do seu ‘Titanic’ -, não creio que esteja exagerando.