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Cultura » ‘A Condessa Branca’

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Luiz Carlos Merten

23 Março 2009 | 09h15

Quando redigi o post sobre Natasha Richardson, ontem, esqueci-me de que ela também interpretou ‘The White Countess’, A Condessa Branca, de James Ivory, contracenando não apenas com Ralph Fiennes, mas também com sua mãe, Vanessa Redgrave, e a tia, Lynn Redgrave. Estava procurando no índice de diretores do guia de filmes de Leonard Maltin o título original de ‘A Francesa’, de Ivory, que a Globo coloca em votação no Intercine para quarta-feira, quando topei com ‘The White Countess’. Foi a última parceria do diretor com o produtor Ismail Merchant, que morreu antes da conclusão das filmagens. Fiennes faz um diplomata cego em Shanghai, nos anos 30, que se liga a aristocrata russa prostituída para ajudar a família. Natasha faz a condessa branca e o filme é bom, naquela linha meio ‘mole’ de Ivory. Vocês já sabem que é um diretor que não me fascina muito. Gosto de alguns filmes dele – ‘Uma Janela para o Amor’, ‘Retorno a Howards End’ e, principalmente, ‘Vestígios do Dia’, baseado no romance de Kazuo Ishiguro. Norte-americano que se fez um gentleman ‘inglês’, Ivory viveu sempre duas culturas, não apenas os EUA e a Europa (a Inglaterra), mas também Ocidente e Oriente, porque ele fez vários filmes tentando decifrar o mistério da Índia. Sempre tive a impressão de que, apesar dos seus esforços, ele nunca chegou lá. Há mais crítica no olhar exasperado de Peggy Ashcroft sobre as relações entre colonizados e colonizadores em ‘Passagem para a Índia’, de David Lean, do que em toda a obra ‘indiana’ de James Ivory, marcada pela parceria com o produtor Merchant e pelo aporte da roteirista Ruth Prawer Jhabvala. Isso não tem, obviamente, com o fato de ele ser gay – um velho dândi –, mas sempre me incomodou a falta de virilidade da mise-en-scène de Ivory. Na maioria das vezes, ele é frouxo – um decorador que arma bem os planos, ou melhor, um antiquário atraído por suas quinquilharias. Talvez esteja sendo injusto com ele, mas eu acho que o próprio Ivory é que foi injusto consigo mesmo, porque em ‘Vestígios do Dia’ ele conseguiu ser bem crítico (e incisivo). Natasha Richardson está bela, muito bem produzida, como a condessa branca. Ou me engano muito ou o filme não foi lançado nos cinemas brasileiros. Acho que foi diretamente para DVD, ou pelo menos foi assim que o vi.