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A coisa certa (feita pelo juri da Mostra)

Luiz Carlos Merten

03 Novembro 2006 | 18h57

Estou aqui em Nova York, onde assisto daqui a pouco ao novo James Bond, Casino Royale, e na sequencia ao novo Clint Eastwood, Flags of Our Fathers. Nao tenho muito tempo para postar e, como voces ja perceberam, existe o problema do computador. Estou escrevendo sem acentos nem nada, mas vamos fazer um esforco para o dia nao passar em branco. Acabo de saber, pesquisando no site da Mostra, que O Cheiro do Ralo foi o vencedor do premio Bandeira Paulista, escolhido como melhor filme pelo juri internacional. Gosto demais do filme do Heitor Dhalia e votei nele para o premio da critica, que o Cheiro tambem recebeu, alias, repetindo o Festival do Rio, onde foi o vencedor do premio da Fipresci, a critica internacional. Soube que o Premio Petrobras de Difusao Cultural foi dividido entre Antonia e O Ano em Que Meus Pais Sairam de Ferias. Nao gosto muito do Antonia, mesmo reconhecendo nele algumas coisas boas, mas nao tenho nada a objetar quanto a esta premiacao, exceto o fato de que o filme do Cao Hamburger (O Ano) jah entrou em cartaz e tem a Buena Vista para alavancar seu lancamento. Antonia ficou para o ano que vem, mas tambem tem a marca da Globo, que ateh adquiriu os diretos para fazer a serie que vai ao ar ainda este mes. Acho que a grana, tambem aqui, ajudaria mais O Cheiro, mas quem sou eu para contestar uma decisao soberana do juri popular? Eh dificil, ateh porque eu gosto muito do Ano, como gosto do Ralo e de outros filmes que integraram a competicao (O Ceu de Suely, Os Doze Trabalhos). O importante e que, pelo segundo ano consecutivo, o premio Bandeira Paulista vai para um filme brasileiro. No ano passado, ganhou Cinema, Aspirinas e Urubus, nosso atual candidato para o Oscar. Em definitivo, a Mostra, que tinha aquela fama de prestigiar a producao estrangeira – o cinema iraniano -, cai de amores pelo cinema brasileiro. Em nome da exatidao historica, cabe lembrar que o primeiro vencedor do premio do publico, na Mostra (em 1977), jah foi um filme brasileiro, Lucio Flavioo, o Passsageiro da Agonia, de Hector Babenco.