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Cultura » A cidade em destaque

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Luiz Carlos Merten

29 Janeiro 2012 | 13h50

Era muito claro para mim que a curadoria de Cléber Eduardo na Mostra Aurora deste ano privilegiava não apenas os filmes realizados a partir das novas tecnologias – ou processos alternativos de produção -, mas também um tema. Já há algum tempo a Mostra de Tiradentes exibe filmes cujos personagens têm uma forte ligação com a cidade. O entorno, a cidade, Brasília e Rio, está no centro dos dois grandes verncedores da edição deste ano – ‘O Cidade É Uma Só?’, de Adirley Queirós, ganhou o prêmio do júri da crítica, e ‘HU’, de Pedro Urano e Joana Traub, foi o preferido do júri jovem. O melhor curta foi ‘Quando Vivemos à Noite’, que Eduardo Morotó adaptou de Charles Bukowski. Gostei de ‘A Cidade É Uma Só?’ – e confesso que admiro o trabalho de Adirley, sua ligação com Ceilândia. Saí de Tiradentes ontem pela manhã, para regressar a São Paulo. Tinha de estar aqui, hoje, e ou antecipava o regresso ou chegaria só à noite. Não assisti ao debate do filme vencedor, mas já ouvi o Adirley falar, contando sua história peculiar. Ele veio do esporte, era jogador de futebol profissional, e só aos 28 anos se inscreveu para cursar cinema, iniciando nova carreira. Gosto, admiro, mas também tenho de confessar que ‘pesquei’ em vários momentos dfo filme, não porquye não gostasse, mas porque ‘A Cidade’ terminou sacrificado. Foi o último de uma série de três longas que começou às 6 da tarde e terminou à meia-noite. Não co0nsegui fruir o filme como gostaria, embora tenha saído do Cine-Tenda com a canção do filme no ouvido. O júri, ou os júris, prefereiram os documentários. Ignoraram as ficções. Gostei particularmente de ‘As Horas Vulgares’, de Rodrigo e Oliveira e Vítor Graize, que ganhou uma definição carinhosa (o filme). Acho carinhosa – ‘garrelzinho’, justamente pela afinidade dos realizadsores com o método do francês Philippe Garrel. Mas, justamente por isso, ‘As Horas Vulgares’ não agradou tanto à selecionadora da Quinzena dos Realizadores de Cannes, que estava em Tiradentes como olheira. Garrel por Garrel, ela já tem o original, e assim se interessou mais pelo longa paulista de Marcelo Toledo e Paolo Gregori, ‘Corpo Presente’, que tem chance, agora, de integrar a Quinzaine, em maio. Embora preferindo ‘Horas Vulgares’, vou ficar feliz se isso ocorrer. Tiradentes, o velho e o novo, as novas tecnologias e as novas estéticas, o personagem e seu entorno, a cidade. Foi uma bela semana e ontem, chegando no início da tarde a BH, aproveitei para vagabundear pela cidade, antes de ir para Confins. Fiquei horas manuseando DVDs numa liquidação da Leitura (livraria), no Shopping Cidade. Não tinha registro de uma distribuidora chamado SN, Spectra Nova (é isso?). Nessa altura, tudo já se misturou na minha cabeça e eu já não sei mais quais DVDs eram da SN. Mas lá estavam, e baratinhos, ‘Mozart para Sempre’, ‘A Noite de São Lourenço’ – e o novo filme dos irmãos Taviani vai concorrer em Berlim -, ‘Ivanhoé’, ‘O Desasfio das Águias’, uma ampla seleção de westerns (norte-americanos e spaghettis) etc. Cinema autoral e blockbusters. A gente se arrepende do que não faz. Comprei livro – ‘A Juventude do Dragão’, de Nelson Motta -, deveria ter comprado os DVDs, pasra voltar a tumultuar a arrumação que a filha da Jussara, diagramasdora, a Madá, fez na minha casa enquanto estava no Chile.