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A China está longe

Luiz Carlos Merten

20 Junho 2009 | 12h02

RIO – Tive uma quinta-feira movimentada, antes de vir ao Rio (ontem). Almnoçamos, Ubiratan Brasil e eu, com a delegação francesa que veio para o Panorama, na casa do cônsul. Lá estavam Ledon Cakoff, o sr. Mostra, e Renata Almeida. Ele recebe na semana que vem, em São Paulo, o título de ‘Chevalier’, outorgado pelo governo da França e que fez por merecer por sua atividade em prol da cultura. Tinha um monte de matérias naquele dia – os textos da edição de sexta no ‘Caderno 2’, os filmes na TV de domingo, no ‘Telejornal’, e até um texto para o ‘Cultura’, também de amanhã. Antônio Gonçalves Filho faz uma capa sobre os 20 anos do Massacre da Paz Celestial e os livros de novos autores chineses que estão saindo no Brasil, com testemunhos sobre o que foi aquilo. Acrescento um texto sobre o cinema chinês, não apenas o de Jia Zhang-ke, que trata das transformações ocorridas no Brasil, mas o de Lou Ye, de ‘Summer Palace’ e ‘Spring Fever’, que foi premiado em Cannes este ano. Lou Ye incorporou o massacre da praça à dramaturgia de ‘Palácio de Verão’ e foi penalizado pelas autoridades chinesas, que cassaram seu registro de cineasta por cinco anos. No intervalo, ele conseguiu fazer, clandestinamente, ‘Febre de Primavera’, que teria problemas de qualquer maneira, porque trata de homossexualismo masculino e da cena underground de Beijing. Esses filmes, os de Zhang-ke e Lou Ye, mais os de outros ‘autores’, são feitos para o olhar do Ocidente. Passam em grandes festivais, recebem prêmios, mas estão interditos – proibidos – para o olhar dos próprios chineses. Que coisa!