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Luiz Carlos Merten

30 Janeiro 2007 | 16h29

Fico sempre meio consternado, já escrevi isso, quando vejo a lista dos DVDs mais retirados nas locadoras, que a agência Estado pesquisa todas as semanas e encaminha para o Caderno 2. É política da gente, no jornal, destacar os lançamentos mais especiais, menos atrelados ao mercado, mas a lista dos dez mais é sempre a expressão do cinemão. Há sete semanas A Casa do Lago vem em primeiro lugar. Vou ter de confessar. Não vi o filme que Alejandro Agresti fez com a Sandra Bullock. E olhem que ele ficou tanto tempo em cartaz! Em geral, vejo os filmes duas ou três vezes, mas este, perdi. Acho que estreou quando eu estava fora. Fui deixando, deixando e perdi. Comentei a lista ontem com o Zanin, meu colega Luiz Zanin Oricchio, tentando entender o que para mim é um mistério. Por que A Casa do Lago mexe tanto com as pessoas? Ele me disse que é uma história de amor impossível, sobre duas pessoas que vivem em dimensões diferentes. (Claro que estou adicionando este post quase como uma continuidade do anterior, sobre King Kong). Agresti é um diretor curiosíssimo. Tem uma obra pouco convencional, embora seus últimos filmes sejam mais, digamos, ‘palatáveis’ para as massas (e não digo isso de forma pejorativa). Mas quando o Zanin me falou dessa impossibilidade do amor em dimensões diferentes me lembrei imediatamente do velho Em Algum Lugar do Passado, do Jeannot Szwarc, com Christopher Reeve e Jane Seymour. No começo dos anos 70, este filme virou o maior cult. Ainda estava em Porto alegre e posso dizer que se eternizou em cartaz, um fenômeno raramente visto. Agresti, até por conhecê-lo, deve ser menos meloso do que Szwarc, com a sua trilha baseada em Rachmaninoff. Mas a despeito dessas diferenças, o que me interessa é a idéia romântica de que o amor deslocado, o amor impossível, continua mexendo com o público hoje como há 30 anos (talvez há 300, no auge da literatura romântica). Alguém quer comentar sobre A casa do Lago? Vou ver, prometo.