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Luiz Carlos Merten

23 Setembro 2007 | 13h25

RIO – Havia encontrado Chico Teixeira na sexta e o Chico me intimidou a rever A Casa de Alice, o que fiz ontem, no Palácio, quando o filme passou na Première Brasil. Havia visto o filme no Panorama, em Berlim, e mesmo gostando, havia manifestado meu estranhamento em relação ao desfecho, que não posso contar, para não tirar a graça. Explico. Participei da comissão da Petrobrás que avaliou o roteiro, para concessão do patrocínio da empresa, e o desfecho de A Casa de Alice, naquele roteiro, era muito mais… Violento? Para fora? Na verdade, o filme explodia com as personagens. Agora, implode. E por isso coloquei a interrogação – o final era mais violento? Não sei se masis, porque continua violento. A internalização é uma coisa muito forte, só que eu não esperava e fui atropelado por ela. Teria revisto A Casa de Alice de novo, independentemente do pedido do Chico, porque é diferente ver os filmes da Première Brasil na própria Première. Continuo achando o filme um dos mais impressionantes retratos de mulher (e da classe média) no cinema brasileiro recente. A manicure Alice, o marido taxista, seus três filhos e a mãe dela – a única que, mesmo estando quase cega, consegue ver tudo dentro daquela casa – compõem um bestário sobre a família de classe média digno das taras de Nelson Rodrigues. Só que agora acredito ter entrado mais no clima de internalização do desfecho. Ele me veio como uma coisa mais natural. E a atriz! Carlas Ribas veio do teatro. Está estreando no cinema e creio não exagerar se disser que ela já estréia com uma interpretação antológica. Como Hermila Guedes, por O Céu de Suely, Carla, na Casa de Alice, leva jeito de papar os principais prêmios do ano. Se o fizer, eles serão merecidos, pode crer.

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